Sabe aquele filme que te deixa desconfortável, mas você não consegue parar de olhar? O Rei da Comédia (The King of Comedy) é exatamente assim. Assisti a essa obra do Martin Scorsese recentemente e fiquei pensando em como ela antecipou toda essa nossa obsessão atual por fama e atenção.
Se você está buscando um filme que mistura sátira, drama e uma pitada de vergonha alheia de alto nível, senta aí que vou te contar por que esse clássico de 1982 continua tão atual.
O que faz de O Rei da Comédia um cult clássico?
Lançado oficialmente em 18 de fevereiro de 1983 nos Estados Unidos, o filme é dirigido pelo mestre Martin Scorsese. Aqui ele sai um pouco daquela atmosfera de máfia de Caminhos Perigosos para mergulhar na mente de Rupert Pupkin, um cara que tem certeza absoluta de que nasceu para ser um comediante de sucesso.
O título original é The King of Comedy. A trama gira em torno da persistência — beirando a loucura — de Pupkin para conseguir um espaço no programa de TV do seu ídolo, Jerry Langford. É um estudo de personagem frio e muito bem executado.
Ficha Técnica e Recepção
Direção: Martin Scorsese.
Elenco Principal: Robert De Niro, Jerry Lewis e Sandra Bernhard.
Nota IMDb: 7.8/10.
Premiações: Levou o BAFTA de Melhor Roteiro Original e concorreu à Palma de Ouro em Cannes.
Atuações que carregam o filme nas costas
Falar desse filme e não exaltar o Robert De Niro é impossível. Ele interpreta o Pupkin de um jeito que você sente vontade de se esconder debaixo do sofá. É uma atuação contida, mas bizarramente intensa.
Do outro lado, temos o lendário Jerry Lewis. Ele interpreta Jerry Langford, um apresentador de talk-show cansado da fama e do assédio. A dinâmica entre os dois é o coração do filme. Lewis, que na vida real era o rei da comédia física, entrega aqui um papel sério, seco e muito realista. É o contraponto perfeito para a euforia delirante do protagonista.
Bastidores: trilha sonora e locações reais
A atmosfera do filme é puramente Nova York. Scorsese filmou em locações reais da cidade, capturando aquele cinza urbano do início dos anos 80 que ajuda a passar a sensação de isolamento e a frieza do mundo do entretenimento.
A trilha sonora também merece destaque. Ela não é invasiva; funciona para pontuar os momentos de delírio do Pupkin. A curadoria musical contou com Robbie Robertson (da banda The Band), trazendo nomes como Ray Charles e B.B. King para compor o clima das cenas.
Curiosidades que você provavelmente não sabia
Mesmo sendo um filme de mais de 40 anos, ele esconde detalhes interessantes que influenciaram o cinema moderno:
Inspiração para Coringa: Se você assistiu ao filme Coringa (2019), com Joaquin Phoenix, deve ter notado semelhanças. O diretor Todd Phillips admitiu que O Rei da Comédia foi uma das maiores inspirações para a obra.
Jerry Lewis e o cansaço real: Dizem que Lewis usou sua própria frustração com fãs invasivos na vida real para dar o tom irritado do seu personagem.
Robert De Niro "entrou" no papel: Para conseguir as reações de raiva de Jerry Lewis, De Niro chegou a fazer ofensas reais (incluindo comentários antissemitas, que ele depois se desculpou) apenas para tirar o colega do sério durante as gravações.
Fracasso de bilheteria: Na época, o filme foi um "flop" comercial. As pessoas esperavam uma comédia rasgada e receberam uma crítica ácida social. O reconhecimento como obra-prima só veio anos depois.
Vale a pena assistir hoje em dia?
Com certeza. O filme envelheceu muito bem porque o tema é eterno: até onde alguém vai para ser notado? Em tempos de redes sociais e busca desenfreada por seguidores, Rupert Pupkin parece quase um precursor dos influenciadores modernos, só que sem um smartphone na mão.
O ritmo é fluido, o roteiro é direto e o final é daqueles que te faz questionar o que é real e o que é projeção. Se você gosta de cinema de qualidade sem muita enrolação, coloque na sua lista.
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