Sabe quando você está navegando pelo catálogo de streaming, sem muita paciência, e topa com um filme que parece simples, mas te prende pela bizarrice? Foi assim que cheguei em Vilões (título original: Villains), lançado em 2019. Não é um blockbuster barulhento, e talvez por isso ele funcione tão bem. É um suspense com pitadas de humor ácido que não tenta te emocionar de forma barata, mas te deixa curioso para saber até onde aquela situação vai escalar.
O que esperar de Vilões (2019)
A premissa é direta, do jeito que eu gosto. Temos um casal de criminosos amadores, Mickey e Jules, que após um assalto mal planejado, ficam sem combustível e decidem invadir uma casa isolada para encontrar um carro ou qualquer coisa que os tire dali. O problema é que os donos da casa, George e Gloria, são muito mais perturbados do que os invasores.
O filme foi dirigido pela dupla Dan Berk e Robert Olsen, que conseguiram criar um ambiente claustrofóbico sem precisar de muitos cenários. A história se resolve basicamente dentro daquela propriedade, o que aumenta a tensão. O ritmo é fluido e o roteiro não perde tempo com explicações desnecessárias.
Um elenco que segura a tensão
O que realmente me convenceu a assistir foi o elenco. Bill Skarsgård (o Mickey) e Maika Monroe (a Jules) entregam uma química muito boa como o casal "bonitinho, mas ordinário". Skarsgård, que muita gente conhece como o Pennywise, aqui mostra um lado mais humano e até meio bobalhão, o que contrasta bem com a Maika, que já é veterana do gênero suspense.
Do outro lado, temos Jeffrey Donovan e Kyra Sedgwick. Eles interpretam os donos da casa e dão um show de atuação como um casal de psicopatas refinados e educados. É esse embate entre os "vilões amadores" e os "vilões profissionais" que dá o tom da obra. No IMDb, a nota gira em torno de 6.2, o que eu considero justo para um filme que cumpre o que promete sem inventar a roda.
Bastidores, locações e a trilha sonora
Se você gosta de detalhes técnicos, o filme foi rodado principalmente no estado de Nova York, em locais como o Hudson Valley. Essa ambientação de casa antiga e isolada no meio do nada ajuda muito a passar a sensação de que não há para onde fugir.
Outro ponto que me chamou a atenção foi a trilha sonora, assinada por Andrew Hewitt. Ela não é invasiva, mas sabe pontuar os momentos em que o humor vira tensão em segundos. Em termos de reconhecimento, o filme circulou bem em festivais de gênero, chegando a ser indicado no SXSW Film Festival, o que já mostra que ele tem uma qualidade técnica acima da média desses suspenses que saem direto para vídeo.
Curiosidades e por que assistir
Uma curiosidade interessante é que o roteiro de Villains chegou a figurar na "Black List" de Hollywood, que é uma lista anual dos melhores roteiros ainda não produzidos. Isso explica por que o diálogo é tão afiado e as situações são tão bem amarradas.
Outro detalhe legal é ver como o filme brinca com as cores. Enquanto o casal de jovens usa roupas e tons mais vibrantes, a casa e os donos têm uma estética mais sóbria e antiga, marcando bem o choque de gerações e de loucuras.
Se você está procurando algo para assistir em uma noite de bobeira, que seja curto (tem cerca de 1h30), direto e que não te trate como idiota, esse filme é uma ótima escolha. É um suspense de "invasão domiciliar" invertido que funciona muito bem.
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