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25 fevereiro 2026

Eu Juro

 

Vou ser direto: se você ainda não parou para ver Eu Juro (título original: I Swear), está perdendo um dos dramas mais viscerais dos últimos tempos. O filme, que estreou mundialmente no Festival de Toronto em setembro de 2025 e chegou aos cinemas em outubro, não é só mais uma cinebiografia. É um soco no estômago que, curiosamente, te deixa com uma sensação de resiliência no final.

Assisti ao longa recentemente e a primeira coisa que me chamou a atenção foi como ele foge dos clichês de superação barata. Vou te contar um pouco sobre o que faz essa produção ser tão comentada, sem entregar nada que estrague a sua experiência.

A direção precisa de Kirk Jones e o elenco de peso

O comando de Eu Juro ficou nas mãos de Kirk Jones. Ele conseguiu equilibrar a crueza da vida real com uma estética cinematográfica muito honesta. Mas, honestamente, quem rouba a cena e justifica cada centavo do ingresso é Robert Aramayo. Você deve se lembrar dele em O Senhor dos Anéis ou Game of Thrones, mas aqui ele está em outro patamar.

Aramayo interpreta John Davidson, uma figura real que se tornou um dos maiores ativistas da Síndrome de Tourette no Reino Unido. Ao lado dele, temos nomes como Maxine Peake e Peter Mullan, que entregam atuações contidas e potentes. No IMDb, o filme já ostenta uma nota sólida na casa dos 8.0, o que é um feito raro para dramas independentes desse gênero.

Premiações e o reconhecimento da crítica

Não é só o público que está gostando. Na última temporada de premiações, especificamente no BAFTA 2026, o filme fez história. Robert Aramayo levou o prêmio de Melhor Ator, desbancando favoritos como Timothée Chalamet. Além disso, a produção garantiu o prêmio de Melhor Elenco e foi indicada a Melhor Filme Britânico.

A crítica internacional destacou a coragem de Jones em mostrar a realidade da Tourette sem filtros. O filme não pede desculpas pela linguagem ou pelos tiques do protagonista, e é justamente essa autenticidade que rendeu prêmios também no BIFA (British Independent Film Awards).

Trilha sonora e as locações na Escócia

Um dos pontos altos para mim foi a trilha sonora. O filme se passa em grande parte nos anos 80 e 90, então espere ouvir clássicos de bandas como New Order, James, Portishead e Paul Weller. A música não está lá só para decorar, ela dita o ritmo da ansiedade e da euforia do John. A composição original é assinada por Stephen Rennicks, que sabe muito bem como criar tensão emocional.

Em termos de visual, o filme foi rodado principalmente em Glasgow, na Escócia. Algumas cenas marcantes usaram o Hippodrome Cinema, em Bo'ness, o cinema mais antigo da Escócia ainda em funcionamento. A fotografia aproveita bem aquela luz cinzenta e melancólica das cidades escocesas, o que combina perfeitamente com o tom da narrativa.

Curiosidades que você precisa saber

Existem alguns detalhes de bastidores que tornam a obra ainda mais interessante:

  • Preparação intensa: Robert Aramayo morou três meses com o verdadeiro John Davidson em Galashiels para entender cada nuance dos tiques e da fala dele.

  • História Real: O roteiro é baseado na vida de John Davidson, que ficou famoso no Reino Unido ainda na década de 80 por causa de um documentário da BBC.

  • Polêmica no BAFTA: O próprio John Davidson esteve presente na cerimônia de 2026 e, fiel à sua condição, acabou gerando momentos virais e debates necessários sobre a inclusão de pessoas neurodivergentes em grandes eventos.

No fim das contas, Eu Juro é um filme sobre identidade. É sobre um cara tentando descobrir quem ele é enquanto o mundo tenta defini-lo apenas por uma condição médica. Se você gosta de cinema que te faz pensar sem ser pedante, esse é o filme da vez.



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