Se tem um filme que define o que é o gênero "buddy cop", esse filme é Máquina Mortífera (Lethal Weapon). Lançado em 1987, ele não é só mais um filme de polícia e bandido; é a régua pela qual todos os outros que vieram depois tentaram se medir.
Vou direto ao ponto sobre o que faz esse clássico ser o que é, sem enrolação e sem entregar o final para quem ainda não viu.
O encontro de Riggs e Murtaugh
A história gira em torno de dois detetives da LAPD com estilos de vida e mentalidades completamente opostas. De um lado, Martin Riggs (Mel Gibson), um ex-integrante das Forças Especiais que ficou totalmente instável e suicida após a morte da esposa. Do outro, Roger Murtaugh (Danny Glover), um veterano que acabou de completar 50 anos e só quer paz para chegar à aposentadoria.
A química entre os dois é o que carrega o filme nas costas. Não parece atuação ensaiada; parece a dinâmica real de dois caras que são forçados a trabalhar juntos, se odeiam no café da manhã e estariam prontos para morrer um pelo outro na hora do jantar. O diretor Richard Donner acertou em cheio ao focar mais na relação deles do que apenas nas explosões.
Produção e ficha técnica de peso
Para quem gosta de números e nomes, a ficha técnica de Máquina Mortífera é respeitável. O filme estreou nos cinemas americanos em 6 de março de 1987. No comando, como mencionei, estava Richard Donner, o cara que também nos deu Superman e Os Goonies.
Título Original: Lethal Weapon
Nota no IMDb: Atualmente mantém sólidos 7.6/10.
Atores Principais: Mel Gibson, Danny Glover e Gary Busey (como o vilão psicopata Mr. Joshua).
Premiações: Foi indicado ao Oscar de Melhor Mixagem de Som em 1988.
A trilha sonora merece um parágrafo à parte. É uma colaboração entre Michael Kamen, Eric Clapton e David Sanborn. Aquele saxofone melancólico que toca quando o Riggs está sozinho e a guitarra blues do Clapton dão o tom perfeito para a solidão e a tensão do filme.
Locações e a vibe de Los Angeles
O filme foi rodado inteiramente na Califórnia, usando o cenário urbano de Los Angeles como um personagem vivo. Desde as perseguições nas rodovias de Long Beach até a cena clássica na cobertura de um prédio em Hollywood, a fotografia entrega aquela estética crua e urbana do final dos anos 80.
Diferente de muitos filmes de ação modernos que parecem limpos demais, Máquina Mortífera tem textura. Você sente o calor do asfalto e o cansaço dos personagens. As locações ajudam a passar essa sensação de que o perigo está em qualquer esquina de Santa Monica ou Burbank.
Curiosidades que você talvez não saiba
Todo grande filme tem bastidores interessantes, e com este não seria diferente. Aqui estão alguns fatos que mostram como a produção foi levada a sério:
Treinamento Real: Os atores passaram por um treinamento intensivo de táticas policiais e artes marciais (como Jiu-Jitsu brasileiro e Capoeira) para as cenas de luta.
O Roteiro: Foi escrito por Shane Black quando ele tinha apenas 22 anos. Ele se tornou um dos roteiristas mais bem pagos de Hollywood depois disso.
A Frase Icônica: A famosa frase de Murtaugh, "I'm too old for this shit" (Estou velho demais para isso), virou um bordão cultural usado até hoje.
Dublês: Mel Gibson fez muitas de suas próprias cenas de ação, o que deu uma autenticidade maior para o comportamento errático do Riggs.
Se você está procurando um filme de ação que tenha substância, diálogos afiados e uma direção que sabe filmar uma troca de tiros sem te deixar tonto, Máquina Mortífera é a escolha óbvia. É cinema raiz, direto e eficiente.
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