"Os Imperdoáveis": Quando a Lei Falha e a Vingança Sobra
Eu sou daqueles que valoriza um bom faroeste, o tipo cru, sem firulas. E "Os Imperdoáveis" (título original: Unforgiven) é um que me marcou de um jeito diferente. Não é só mais um bangue-bangue; é uma reflexão sobre o peso da violência, de como um passado que a gente tenta enterrar volta para nos cobrar. Vi esse filme lá em 1993, o ano do seu lançamento (nos EUA, foi em 7 de agosto de 1992, e aqui no Brasil, em 1993), e de cara já senti o peso da história.
O Diretor e estrela principal, Clint Eastwood, fez um trabalho de mestre. Ele já era uma lenda do gênero, mas aqui ele se superou, mostrando a sujeira por trás do mito do pistoleiro.
A Trama Seca e os Gigantes da Tela
A história segue William Munny, um ex-pistoleiro e ladrão que tenta viver uma vida decente como fazendeiro. As coisas apertam e, por uma recompensa, ele volta à ativa. A premissa é simples, mas o desenrolar é complexo. É a ambição, a necessidade e o código do Velho Oeste colidindo de um jeito bem realista.
O elenco, meu amigo, é de peso. Além do próprio Clint Eastwood, temos:
Gene Hackman, que está brutal como o xerife Little Bill.
Morgan Freeman, como Ned Logan, um velho parceiro de Munny.
Richard Harris, como o inglês Bob.
A química e a tensão entre esses caras seguram o filme do começo ao fim.
A crítica notou, e o público também: no IMDb, o filme ostenta uma nota alta, na casa de 8.2, o que não é pouca coisa para um faroeste. Isso mostra o calibre da obra.
Premiações
O filme virou uma tempestade dourada na temporada de prêmios:
• 4 Oscars, incluindo Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Ator Coadjuvante (Gene Hackman) e Melhor Montagem.
• Frequentemente listado entre os maiores faroestes da história.
O Clima de Desolação: Trilha e Cenário
Uma coisa que complementa demais a narrativa é o clima que a produção cria. A trilha sonora, assinada principalmente por Lennie Niehaus, é bem minimalista, mas eficiente. Não tem grandes temas épicos, mas sim melodias que reforçam a melancolia e o ambiente inóspito. É música que te faz sentir a poeira e o frio do cenário.
E por falar em cenário, as locações de filmagem foram um show à parte. A maior parte das cenas foram rodadas na província de Alberta, no Canadá. O visual daquelas planícies e montanhas geladas deu o tom perfeito de isolamento e dureza que a história pedia. Não dava para ser em outro lugar.
Curiosidades e o Legado de um Clássico
O mais interessante sobre "Os Imperdoáveis" é o quanto ele desconstrói o gênero faroeste. O filme é dedicado a Sergio Leone e Don Siegel, que foram grandes mentores de Clint Eastwood no cinema, e você sente essa homenagem.
Uma curiosidade bacana é que o roteiro, escrito por David Webb Peoples, circulou por anos em Hollywood, mas Eastwood esperou o tempo certo – e a idade certa – para interpretá-lo. Ele sabia que precisava de um rosto mais marcado pela vida para viver William Munny de forma convincente. E não é que ele acertou em cheio?
Resumindo, é um filme que envelheceu muito bem. Se você curte um cinema que te faz pensar sobre moralidade e as consequências dos nossos atos, sem a maquiagem do heroísmo fácil, esse aqui é a pedida certa. É um filme para quem gosta de faroeste de verdade.
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