Se você curte cinema de artes marciais que vai além da pancadaria gratuita, com certeza já ouviu falar de O Clã das Adagas Voadoras (House of Flying Daggers). Eu revi esse clássico recentemente e decidi analisar por que, mesmo depois de tantos anos, ele continua sendo uma referência visual absoluta.
Vou direto ao ponto: o filme é uma aula de estética. Sem enrolação, aqui está tudo o que você precisa saber sobre essa obra-prima do gênero wuxia.
Ficha técnica e contexto histórico
Lançado oficialmente em 2004, o filme chegou em uma época onde o cinema chinês estava ganhando o mundo. O diretor por trás dessa máquina é o mestre Zhang Yimou, o mesmo cara que entregou Herói.
A história se passa no ano de 859 d.C., durante o declínio da Dinastia Tang. O governo está corrupto e um grupo rebelde — o tal Clã das Adagas Voadoras — começa a ganhar força. No meio disso, temos dois capitães da polícia local que bolam um plano para infiltrar o grupo através de uma dançarina cega.
Título Original: Shi mian mai fu
Nota IMDb: 7.5/10
Protagonistas: Takeshi Kaneshiro, Andy Lau e a icônica Zhang Ziyi.
O visual e as locações: onde a mágica acontece
O que me prende nesse filme não é só a história, mas como ele é filmado. Muita gente acha que foi tudo feito em estúdio na China, mas a verdade é mais interessante.
As famosas cenas de floresta, com aquele verde vibrante, e as sequências de neve foram filmadas em sua maioria na Ucrânia (Parque Nacional de Hutsulshchyna) e em algumas partes da China. A escolha das locações faz toda a diferença; o cenário não é apenas um fundo, ele é um personagem que dita o ritmo das lutas.
A fotografia de Zhao Xiaoding é tão precisa que cada frame parece uma pintura. Não é à toa que o filme foi indicado ao Oscar de Melhor Fotografia.
Trilha sonora e premiações
A trilha sonora é outro ponto alto. Composta por Shigeru Umebayashi, ela foge do óbvio. A música consegue ser tensa nos momentos de combate e minimalista nos diálogos. A canção tema, "Lovers", interpretada pela soprano Kathleen Battle, fecha o filme com o peso necessário.
Sobre o reconhecimento da crítica, o filme não passou batido:
Indicado ao Oscar (Fotografia).
Várias indicações ao BAFTA (Melhor Atriz, Figurino, Som, Efeitos Visuais).
Venceu diversos prêmios técnicos em festivais asiáticos e europeus.
Curiosidades que você (provavelmente) não sabia
Para quem gosta de detalhes de bastidores, separei alguns pontos que mostram o trabalho insano que deu para fazer esse filme:
A Dança dos Ecos: Aquela cena inicial dos tambores? Zhang Ziyi treinou por meses. Embora tivesse dublês de corpo para alguns movimentos, boa parte da coreografia é dela.
Neve real: A cena final, que acontece em uma nevasca, não estava totalmente planejada para ser assim. Começou a nevar de verdade durante as filmagens na Ucrânia, e o diretor decidiu adaptar o roteiro para aproveitar o clima, o que deu um tom muito mais dramático para o desfecho.
Homenagem: O filme é dedicado a Anita Mui, uma lenda do cinema de Hong Kong que faleceu de câncer antes de filmar suas cenas. O diretor preferiu alterar o roteiro a substituí-la.
O Clã das Adagas Voadoras é um filme seco no diálogo, mas gigante na execução técnica. Se você busca uma narrativa direta, coreografias que desafiam a gravidade e uma estética impecável, vale o play. É cinema de ação feito com cérebro e olhos atentos aos detalhes.
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