Fala, pessoal. Se você curte cinema que te faz fritar o cérebro sem precisar de explosões a cada cinco minutos, senta aí. Hoje o papo é sobre Kes, um clássico britânico de 1969 que, mesmo décadas depois, ainda entrega uma lição de realismo que muito filme moderno não consegue chegar perto.
Vou te contar por que esse filme é essencial, mas sem frescura e, principalmente, sem estragar as surpresas da trama.
O que é Kes e por que ele ainda importa?
O título original é apenas Kes, dirigido pelo mestre do cinema social, Ken Loach. Lançado oficialmente em 3 de abril de 1970 (embora tenha passado em festivais em 1969), o filme é um soco no estômago sobre a vida da classe operária na Inglaterra.
A história foca no Billy Casper, um moleque que não se encaixa no sistema escolar e tem uma vida familiar bem complicada. Tudo muda quando ele resolve treinar um falcão. A narrativa é direta: é o homem (ou o menino virando homem) contra um sistema que quer que ele seja apenas mais uma peça na engrenagem de uma mina de carvão.
Ficha Técnica de Respeito:
Diretor: Ken Loach.
Elenco Principal: David Bradley (Billy), Freddie Fletcher (Jud) e Colin Welland (Sr. Farthing).
Nota IMDb: Atualmente ostenta sólidos 7.9/10.
Premiações: Levou dois prêmios BAFTA (Melhor Ator Coadjuvante e Ator Mais Promissor) e é considerado pelo British Film Institute como o 7º melhor filme britânico de todos os tempos.
A ambientação e o som do norte da Inglaterra
Uma das coisas que mais me chamou a atenção foram as locações de filmagem. O filme foi rodado em Barnsley, South Yorkshire. Não tem cenário de estúdio bonitinho; é tudo rua real, escola real e poeira real. Isso dá um tom cinzento e cru que ajuda muito a entrar no clima da história.
Sobre a trilha sonora, ela é assinada por John Cameron. Diferente desses filmes que usam a música para te obrigar a chorar, aqui a trilha é econômica. Ela aparece nos momentos certos, com uma flauta melancólica que faz o contraste perfeito entre a liberdade do falcão e o aperto da cidade industrial.
Curiosidades que fazem a diferença
Sabe aquele tipo de filme que tem história de bastidor tão boa quanto a tela? Kes é assim. Separei alguns fatos que mostram como o processo foi autêntico:
Sotaque Pesado: O sotaque de Yorkshire dos atores era tão carregado que, quando o filme foi para os EUA, precisou ser dublado ou legendado em algumas partes para que os americanos entendessem.
Treinamento Real: David Bradley, o protagonista, realmente teve que aprender a lidar com os falcões. Aquela conexão que você vê na tela não é efeito especial.
Atores Amadores: Para manter o realismo, Loach usou muitas pessoas locais que nunca tinham atuado na vida, incluindo o professor de educação física, que na vida real era um ex-jogador de futebol.
Por que você deveria assistir hoje?
No fim das contas, Kes não é um filme sobre "um menino e seu passarinho". É um filme sobre dignidade. É sobre encontrar algo que você ama em um mundo que parece não dar a mínima para você. A direção do Ken Loach é seca, sem sentimentalismo barato, o que torna o impacto final muito mais honesto.
Se você gosta de cinema autêntico, que valoriza a atuação e a fotografia naturalista em vez de CGI, esse filme é obrigatório na sua lista. É uma narrativa fluida, que não perde tempo e entrega uma experiência que fica na cabeça por dias.
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