Eu sempre tive um pé atrás com remakes, especialmente quando mexem em clássicos do David Cronenberg. Mas decidi dar uma chance para Fúria, que lá fora saiu com o título original de Rabid. É um filme que tenta seguir um caminho próprio dentro do subgênero body horror, aquele terror focado em transformações corporais que dão um certo nó no estômago. Se você curte uma narrativa mais visceral e direta, vale a pena entender o que as diretoras buscaram aqui.
O que esperar da história e do título original
O filme, lançado oficialmente em 2019, é uma releitura da obra de 1977. No Brasil, ele recebeu o nome de Fúria, mas o título original, Rabid, faz muito mais sentido quando você entende a dinâmica da trama. A história gira em torno de Rose, uma aspirante a estilista que sofre um acidente terrível e acaba aceitando um tratamento experimental de células-tronco.
A direção ficou nas mãos das Soska Sisters, as gêmeas Jen e Sylvia Soska. Elas são bem conhecidas no cenário de terror independente por um estilo cru e sem muitos rodeios. No elenco, temos Laura Vandervoort entregando uma atuação sólida como Rose, acompanhada por Ben Hollingsworth e Ted Atherton. É um time que consegue manter a tensão sem precisar de exageros dramáticos.
Números, notas e a trilha sonora
Se formos olhar para a recepção fria dos dados, o filme tem uma nota de 5.2 no IMDb. Pode parecer baixo para quem só assiste blockbusters, mas para o gênero de terror alternativo, é uma pontuação comum. O filme não tenta agradar todo mundo, ele foca em um nicho que gosta de ver a carne sendo rasgada, por assim dizer.
A trilha sonora foi composta por Claude Foisy. O trabalho dele aqui é interessante porque não tenta roubar a cena com sustos barulhentos. A música serve mais para criar uma atmosfera de desconforto constante, o que combina bem com a estética urbana e fria do filme. Em termos de premiações, o longa circulou bastante por festivais especializados, como o FrightFest de Londres e o BloodGuts UK Horror Awards, onde as diretoras foram reconhecidas pelo esforço em atualizar um clássico.
Locações e a estética visual de Fúria
Uma coisa que me chamou a atenção foram as locações de filmagem. O filme foi rodado em Toronto, no Canadá. Essa escolha ajuda muito na ambientação, já que a cidade tem esse ar cinzento e moderno que casa perfeitamente com a ideia de uma clínica de estética de alta tecnologia e o submundo da moda.
O cenário urbano de Toronto passa aquela sensação de isolamento, mesmo em meio a muita gente. Isso é essencial para o clima de Fúria, onde a protagonista se sente cada vez mais distante da humanidade conforme o tratamento começa a apresentar efeitos colaterais, digamos, peculiares. Não há cenários coloridos ou alegres aqui; é tudo muito estéril ou muito sujo.
Curiosidades que cercam a produção
Existem alguns pontos de bastidores que deixam a experiência de assistir ao filme mais rica. Separei os que achei mais relevantes:
Homenagem ao mestre: As irmãs Soska deixaram claro que o filme é uma carta de amor ao Cronenberg, mas com uma perspectiva feminina sobre a vaidade.
Participações especiais: Para quem gosta de luta livre, o filme conta com participações de CM Punk e AJ Mendez.
Efeitos práticos: Diferente de muitos filmes atuais que abusam do CGI, aqui houve um esforço grande para usar maquiagem e próteses reais, o que dá uma textura muito melhor para o terror.
Conexão com a moda: A escolha da protagonista ser uma estilista serve como uma crítica direta aos padrões de beleza atuais, algo que não era o foco principal no original da década de 70.
No fim das contas, Fúria (Rabid) é um filme que cumpre o que promete. É direto, tem uma pegada estética forte e não tenta ser mais profundo do que precisa. Se você gosta de ver como a ficção científica pode se transformar em um pesadelo biológico, é uma boa pedida para o fim de semana.
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