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14 março 2026

Sicário: Terra de Ninguém

 

O clima de tensão que o Denis Villeneuve constrói em Sicário: Terra de Ninguém não é para qualquer um. Se você está procurando um filme de ação comum, com heróis invencíveis e explosões coloridas, pode dar meia volta. Aqui o buraco é mais embaixo. O filme é um soco no estômago que mostra o lado mais sujo da guerra contra o tráfico na fronteira dos EUA com o México.

Vou te contar por que esse filme, lançado em 2015, continua sendo uma referência absoluta no gênero policial e por que você precisa (re)assistir essa obra.

Onde a lei não tem jurisdição

O título original é apenas Sicario, uma palavra que em espanhol significa matador de aluguel. A trama acompanha Kate Macer (Emily Blunt), uma agente do FBI idealista que acaba sendo recrutada para uma força-tarefa de elite. O objetivo oficial? Derrubar um chefão do cartel. O objetivo real? Bom, isso ela só descobre quando as balas começam a voar em Ciudad Juárez.

O que me prende nesse filme é a direção do Denis Villeneuve. O cara é um mestre em criar desconforto. Ele não precisa de pressa; ele deixa a câmera parada enquanto o perigo se aproxima. Ao lado dele, o diretor de fotografia Roger Deakins entrega um visual árido, seco e sufocante.

Um elenco que entrega o peso da história

Não dá para falar de Sicário sem citar o trio principal. A Emily Blunt está incrível como a bússola moral que vai perdendo o norte. Mas quem rouba a cena são os homens que já foram corrompidos pelo sistema:

  • Josh Brolin: Faz o papel de Matt Graver, um oficial da CIA que parece estar sempre de férias, usando chinelos e agindo com um cinismo que chega a irritar.

  • Benicio del Toro: Aqui ele interpreta Alejandro, um consultor misterioso com um passado sombrio. Ele fala pouco, mas a presença dele no set é esmagadora. É, sem dúvida, um dos melhores papéis da carreira dele.

Trilha sonora e a ambientação do caos

A música desse filme é um capítulo à parte. O falecido Jóhann Jóhannsson criou uma trilha sonora que parece uma batida de coração acelerada ou um motor pesado subindo o morro. Não é "bonita", é intimidadora. Ela te avisa o tempo todo que algo ruim vai acontecer.

As locações de filmagem, que passaram pelo Novo México (Albuquerque) e partes do México, ajudam a vender essa ideia de terra desolada. Aquelas tomadas aéreas da fronteira mostram bem a escala do problema: é um deserto onde qualquer um pode sumir sem deixar rastro.

Vale a pena ver? Notas e curiosidades

Se você liga para números, o filme tem uma nota 7.7 no IMDb, o que é bem alto para o gênero. Ele não levou o Oscar, mas foi indicado em três categorias: Melhor Fotografia, Melhor Trilha Sonora e Melhor Edição de Som.

Algumas curiosidades rápidas para o café:

  • Silêncio é ouro: Benicio del Toro sugeriu cortar cerca de 90% dos seus diálogos para tornar o personagem Alejandro mais místico e perigoso. Villeneuve aceitou, e o resultado ficou animal.

  • Realismo: A cena da ponte, uma das mais tensas do cinema moderno, foi filmada com uma consultoria técnica pesada para parecer uma operação militar real.

  • Sequência: O sucesso foi tanto que gerou uma continuação em 2018, Sicário: Dia do Soldado, focado mais na dupla Alejandro e Matt.

Sicário é aquele tipo de filme que termina e você fica uns minutos olhando para a tela preta, tentando processar o que acabou de ver. É cinema de gente grande, sem filtros e com muita qualidade técnica.



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