Se você é fã de cinema épico, com certeza já cruzou com A Maior História de Todos os Tempos (The Greatest Story Ever Told). Eu assisti a esse clássico várias vezes e decidi analisar o que faz dele uma obra tão monumental, sem cair naquele papo excessivamente sentimental. É um filme de escala técnica absurda, focado na jornada de Jesus Cristo, mas sob uma lente puramente cinematográfica de Hollywood.
O contexto técnico e a ficha técnica do filme
Para começar, vamos direto aos fatos. O filme foi lançado em 15 de fevereiro de 1965. O título original é The Greatest Story Ever Told. No comando da produção, temos o diretor George Stevens, um cara conhecido por ser perfeccionista ao extremo.
O elenco é uma constelação à parte. O papel principal ficou com Max von Sydow, que estreou em Hollywood justamente como Jesus. Além dele, você encontra nomes como Charlton Heston (João Batista), Dorothy McGuire (Maria) e até John Wayne fazendo uma ponta como um centurião romano.
Nota no IMDb: Atualmente, o filme mantém uma média de 6.5/10.
Premiações: Foi indicado a 5 Oscars em 1966, incluindo Melhor Trilha Sonora, Melhores Efeitos Visuais e Melhor Fotografia.
A experiência visual e as locações de tirar o fôlego
Diferente de outros filmes do gênero que buscam o realismo histórico do Oriente Médio, Stevens tomou uma decisão curiosa: filmou quase tudo nos Estados Unidos. As locações principais foram em Utah, Arizona e Nevada.
A escolha pelo Grand Canyon e pelo Lake Powell traz uma escala visual que o cinema de hoje, entupido de tela verde, raramente consegue replicar. É um filme feito para ser visto em telas gigantes (foi filmado em Ultra Panavision 70). A fotografia é nítida, ampla e coloca o homem como um detalhe diante da imensidão da paisagem.
A trilha sonora, composta por Alfred Newman, segue essa mesma linha de grandiosidade. É potente, mas sabe respeitar os momentos de silêncio, algo que eu valorizo bastante em produções desse porte.
Curiosidades que cercam a produção
Toda produção desse tamanho tem histórias de bastidores que valem o registro. Aqui estão as que eu achei mais interessantes:
O perfeccionismo de Stevens: O diretor era tão detalhista que as filmagens duraram quase um ano, enfrentando nevascas em pleno deserto do Arizona, o que era algo raríssimo.
O "Cameo" de John Wayne: A participação dele é curta, mas icônica. Reza a lenda que ele precisou repetir sua única frase várias vezes até que o diretor ficasse satisfeito com a entonação "espiritual".
Duração original: O filme tinha originalmente mais de 4 horas de duração. Para o lançamento comercial, ele sofreu vários cortes, chegando às cerca de 3 horas que conhecemos hoje.
Vale a pena assistir hoje em dia?
Se você gosta de entender como a era de ouro de Hollywood lidava com temas históricos e religiosos, a resposta é sim. Não espere um filme de ação frenética. É uma obra de contemplação. O ritmo é cadenciado e a narrativa é direta, focando nos eventos marcantes sem tentar inventar moda ou focar demais no melodrama.
É um registro de uma época onde o cinema se propunha a ser "maior que a vida". Se você aprecia técnica de câmera, uso de cenários naturais e atuações sóbrias (Max von Sydow entrega um Jesus muito contido e firme), é uma recomendação sólida.
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