Eu estava revendo uns clássicos esses dias e parei para assistir De-Lovely, a cinebiografia de Cole Porter. Se você gosta de música ou de uma boa história de vida, esse filme é um prato cheio. Lançado originalmente em 2004, com o título original mantido como De-Lovely, ele foge daquele formato engessado de documentário. É uma narrativa mais solta, quase como se o próprio Porter estivesse assistindo à sua vida em um palco de teatro.
Quem foi Cole Porter e o que esperar de De-Lovely
Para quem não liga o nome à pessoa, Cole Porter foi um dos maiores compositores americanos de todos os tempos. O filme, dirigido por Irwin Winkler, foca bastante na relação dele com sua esposa e musa, Linda Lee Porter. O que eu acho legal aqui é que o roteiro não tenta santificar o cara. Ele mostra o brilho, o talento absurdo, mas também as complexidades da vida dele, sem muito drama exagerado ou sentimentalismo barato.
A história começa com um Cole já idoso vendo sua trajetória passar diante dos olhos. É um jeito inteligente de amarrar os fatos sem parecer uma aula de história. A fotografia é elegante e o ritmo flui bem, mesmo para quem não é fã fervoroso de musicais.
O elenco de peso e a direção de Irwin Winkler
O acerto principal aqui foi a escolha do elenco. Kevin Kline interpreta Cole Porter e, honestamente, é difícil imaginar outro ator no papel. Ele entrega uma sofisticação que o personagem exigia. Ao lado dele, Ashley Judd faz o papel de Linda. A química entre os dois funciona porque não é baseada em um romance de contos de fadas, mas em uma parceria real e cheia de nuances.
O diretor Irwin Winkler, que tem no currículo produções de peso, optou por uma estética bem teatral. Isso faz sentido, já que a vida de Porter foi vivida entre palcos e festas da alta sociedade. No IMDb, o filme mantém uma nota 6.6, o que eu considero justo. Não é uma obra-prima revolucionária, mas é um filme extremamente bem executado e prazeroso de ver.
Uma trilha sonora que rouba a cena
Agora, o ponto alto para mim é a trilha sonora. Em vez de usarem apenas gravações antigas, eles trouxeram nomes gigantes da música contemporânea (daquela época, claro) para interpretar os clássicos do Porter.
Você ouve Alanis Morissette, Robbie Williams, Sheryl Crow, Elvis Costello e até a Diana Krall aparecendo em cena. É interessante ver como músicas escritas nas décadas de 20 e 30 ainda soam atuais quando bem interpretadas. Essa mistura de biografia com "show tributo" dá um gás na narrativa que evita que o filme fique cansativo.
Curiosidades e bastidores da produção
Se você curte detalhes técnicos e curiosidades, vale notar que as locações de filmagem ajudam muito na imersão. Eles rodaram bastante no Reino Unido e na Itália, especificamente em Veneza, o que traz aquela aura de sofisticação europeia que fazia parte do mundo do compositor.
Sobre premiações, o filme não passou batido. Kevin Kline e Ashley Judd receberam indicações ao Globo de Ouro por suas atuações. Uma curiosidade interessante é que o Kevin Kline realmente toca piano em várias cenas, o que traz uma camada de autenticidade que a gente raramente vê hoje em dia, onde tudo é dublado ou feito por computação.
Se você está procurando algo para assistir no fim de semana que misture boa música, uma história real interessante e atuações sólidas, De-Lovely é uma escolha segura. É um filme direto, honesto e visualmente muito bonito.
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