Sempre que alguém me pergunta sobre filmes de sobrevivência que realmente "pegam na alma", o primeiro que me vem à cabeça é O Regresso. Eu lembro de ter saído do cinema impactado, não só pela história, mas pelo esforço físico que transparece na tela. Se você busca algo leve, esse não é o caminho. Aqui o papo é sobre a força bruta da natureza e o que um homem faz para não morrer.
O que você precisa saber sobre The Revenant
Lançado no Brasil no início de 2016, The Revenant (título original) é uma obra dirigida pelo mexicano Alejandro G. Iñárritu. Eu acompanho o trabalho dele há algum tempo, mas aqui ele subiu o sarrafo. O filme é baseado em parte na vida de Hugh Glass, um explorador do século XIX que foi deixado para trás pelos próprios companheiros após ser estraçalhado por um urso.
O elenco é pesado. Leonardo DiCaprio entrega o que eu considero a atuação mais visceral da sua carreira, dividindo o protagonismo com Tom Hardy, que faz o tipo de vilão que a gente odeia com gosto. No IMDb, o filme mantém uma nota sólida de 8.0, o que faz total sentido pela entrega técnica da produção.
Prêmios, trilha sonora e o visual gélido
Não dá para falar desse filme sem citar o Oscar. Foi aqui que o DiCaprio finalmente levou a estatueta de Melhor Ator, mas o filme também faturou Melhor Direção e Melhor Fotografia. Aliás, a fotografia do Emmanuel Lubezki é um show à parte: ele usou apenas luz natural, o que dá um tom realista e quase documental para as cenas.
A trilha sonora, composta por Ryuichi Sakamoto e Alva Noto, é minimalista. Ela não tenta te forçar a sentir algo; o som do vento, do gelo quebrando e da respiração cansada faz o trabalho pesado de imersão. É o tipo de áudio que te faz querer pegar um cobertor mesmo estando no sofá de casa.
Locações reais e o desafio das filmagens
Uma coisa que eu respeito muito nessa produção foi a recusa em usar telas verdes para tudo. A equipe se mandou para lugares remotos no Canadá e na Argentina (na Terra do Fogo) para buscar neve de verdade.
Dizem que o set era um caos por causa do frio extremo. O diretor queria realismo, e ele conseguiu. Você percebe que o sofrimento dos atores ali não é totalmente fingido. As locações são personagens vivos na trama, mostrando como o ambiente pode ser indiferente à existência humana.
Curiosidades que cercam a produção
O que aconteceu nos bastidores é tão intenso quanto o que vemos na tela. Separei alguns pontos que mostram o nível de loucura dessa gravação:
Fígado de verdade: DiCaprio, que é vegetariano, comeu um fígado de bisão cru em uma das cenas para que a reação fosse autêntica.
Ataque do urso: Aquela cena famosa do urso foi feita com um dublê e cabos, mas o CGI foi tão bem finalizado que até hoje tem gente que jura ser um animal real.
Luz natural: Como só filmavam com luz do dia, eles tinham apenas algumas horas por dia para rodar. Se errassem a coreografia, o dia de trabalho estava perdido.
O filme é uma jornada de resistência. Se você ainda não viu, reserve uma noite em que esteja disposto a encarar uma narrativa lenta, porém poderosa. É cinema de verdade, feito no braço.
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