Se você cresceu nos anos 80 ou 90, é impossível não ter uma imagem mental daquela silhueta de uma bicicleta voando contra a lua cheia. Eu revi E.T. O Extraterrestre esses dias e, cara, o filme continua um soco no estômago de nostalgia, mas de um jeito técnico que impressiona até hoje.
Não vou ficar aqui tentando te convencer de que o filme é "mágico" ou "emocionante" – isso todo mundo já sabe. O que eu quero é dissecar por que esse longa de 1982 se tornou o padrão ouro do cinema de ficção científica familiar.
O fenômeno de Steven Spielberg em 1982
Lançado originalmente em 11 de junho de 1982, o filme chegou aos cinemas com o título original de E.T. the Extra-Terrestrial. A direção ficou nas mãos de um Steven Spielberg que já estava no topo do mundo, mas que aqui decidiu fazer algo muito mais pessoal.
O elenco conta com nomes que a gente viu crescer na tela:
Henry Thomas como o protagonista Elliott.
Drew Barrymore (bem pequena) como Gertie.
Robert MacNaughton como Michael.
Dee Wallace fazendo o papel da mãe.
No IMDb, o filme ostenta uma nota 7.9, o que é um feito absurdo para uma produção voltada para o público infantil que já passou dos 40 anos de estrada. Ele não é apenas um filme de "boneco"; é uma aula de ritmo cinematográfico.
Bastidores, trilha sonora e premiações
Se tem uma coisa que dita o tom desse filme é a música. John Williams criou uma trilha sonora que, se você ouvir três notas, já sabe do que se trata. Não à toa, ele levou o Oscar de Melhor Trilha Sonora Original por esse trabalho. Aliás, a cerimônia de premiação foi generosa: o filme faturou quatro estatuetas, incluindo Melhores Efeitos Visuais, Som e Edição de Som.
As filmagens rolaram basicamente na Califórnia, com locações marcantes em Northridge, Tujunga e nos arredores de Crescent City para as cenas da floresta. O visual "subúrbio americano" que a gente vê em quase todo filme de aventura hoje em dia foi praticamente definido aqui.
Curiosidades que você provavelmente não sabia
Mesmo sendo um clássico absoluto, tem muita coisa que acontece por trás das câmeras que passa batido. Separei alguns pontos que mostram a genialidade (e a estranheza) da produção:
O rosto do E.T.: A aparência do alienígena foi uma mistura visual de Albert Einstein, o poeta Carl Sandburg e um cachorro pug.
M&M's recusados: A produção queria usar M&M's para a cena em que o Elliott atrai o E.T., mas a Mars recusou. Resultado? Usaram Reese's Pieces, e as vendas do doce explodiram.
Filmagem em ordem cronológica: Spielberg filmou tudo na sequência certa da história. Ele fez isso para que a reação das crianças no final fosse mais genuína, já que elas estariam realmente se "despedindo" do boneco.
Harrison Ford: O intérprete de Han Solo chegou a gravar uma ponta como o diretor da escola de Elliott, mas a cena foi cortada na edição final para não distrair o público.
Por que assistir (ou rever) hoje em dia?
Diferente de muitos filmes de ficção científica daquela época que envelheceram mal por causa do CGI rústico, E.T. usa efeitos práticos. O boneco está lá, ele tem peso, ele ocupa espaço. Isso faz com que a interação com os atores pareça real, e não algo inserido digitalmente depois.
Se você está procurando entender as raízes de séries como Stranger Things, o caminho começa aqui. É um roteiro direto, sem gordura, focado em um conceito simples: o medo do desconhecido versus a curiosidade da infância. Sem spoilers, mas o ritmo do terceiro ato é um exemplo de como construir tensão sem precisar de explosões a cada cinco minutos.
Vale a pena dar o play, nem que seja para analisar como Spielberg consegue filmar quase tudo do ponto de vista de uma criança, mantendo a câmera baixa durante a maior parte do tempo.
Nenhum comentário:
Postar um comentário