Uma Volta no Tempo: Minha Experiência com "Era Uma Vez em Hollywood"
Eu sempre tive uma queda por filmes que nos jogam de cabeça em outra época. E quando soube que o mestre Quentin Tarantino estava preparando algo sobre a Los Angeles de 1969, a expectativa foi lá em cima. "Era Uma Vez em Hollywood" é exatamente isso: uma viagem nostálgica, cheia de referências, com aquele toque único que só o Tarantino consegue dar. Se você curte o cinema da velha guarda e histórias sobre os bastidores de Hollywood, este é um prato cheio.
O Elenco de Peso e a Trama no Auge de 1969
O filme me fisgou logo de cara pela dupla principal. Ter Leonardo DiCaprio e Brad Pitt dividindo a tela é um show à parte. DiCaprio interpreta Rick Dalton, um ator de TV que está lutando para se manter relevante em uma Hollywood em constante mudança. Já Pitt vive Cliff Booth, o dublê e faz-tudo de Rick, um cara tranquilo e misterioso que é a sombra fiel do protagonista.
A trama, lançada em 26 de julho de 2019 no Brasil, gira em torno desses dois enquanto eles tentam navegar pela indústria do entretenimento, que está prestes a mudar drasticamente. A coisa fica mais interessante quando percebemos que Rick Dalton é vizinho da atriz Sharon Tate (interpretada por Margot Robbie), que, na vida real, teve um destino trágico. A maneira como Tarantino lida com essa tensão histórica é um dos pontos altos da obra.
O Diretor, claro, é o icônico Quentin Tarantino. A forma como ele costura a ficção com fatos históricos e personagens reais é magistral, mantendo a narrativa fluida, mesmo com o ritmo mais cadenciado do filme.
Trilha Sonora e Locações: O Coração de Los Angeles em 1969
Se tem uma coisa que o Tarantino acerta sempre, é na trilha sonora. Em "Era Uma Vez em Hollywood" não é diferente. As músicas são um personagem à parte, um verdadeiro mapa sonoro da época. São faixas de rock, pop e R&B que embalavam a rádio de Los Angeles em 69. A seleção musical é impecável e ajuda a criar aquela atmosfera de "pôr do sol de verão" que permeia o filme inteiro. É daquelas trilhas que você salva para ouvir no carro depois.
As locações de filmagem também são vitais para a imersão. Tarantino fez questão de usar lugares icônicos de Los Angeles. Ver a recriação da Hollywood Boulevard com os letreiros da época, o Musso & Frank Grill (o restaurante mais antigo de Hollywood) e o Spahn Ranch (onde a infame "Família Manson" vivia) dá um peso de autenticidade à produção. É uma carta de amor visual à cidade e àquela década.
Curiosidades e A Recepção da Crítica
O filme tem mantido uma boa aceitação do público e da crítica, ostentando uma Nota IMDb de 7.6 (no momento em que escrevo). Isso atesta o seu apelo, especialmente para quem já é fã do estilo do diretor.
Curiosidades que valem a pena mencionar:
O Carro de Cliff Booth: O Karmann Ghia amarelo que Cliff dirige é um detalhe que chama a atenção, um clássico da época.
Referências de TV: O filme está cheio de clipes e cenas de programas de TV fictícios de Rick Dalton, que são recriações perfeitas dos seriados western daquela época. É um show de metalinguagem.
A Amizade na Tela: A química entre DiCaprio e Pitt é palpável. Eles venderam a ideia de uma amizade de anos de forma muito convincente, o que sustenta boa parte da narrativa.
O Meu Veredito
Para fechar, "Era Uma Vez em Hollywood" é um filme que vale a pena ser assistido com calma. Não espere a ação frenética de outros trabalhos do Tarantino. Este é mais contemplativo, focado em diálogos e na construção de personagens. É uma história de amizade, de luta pela sobrevivência em uma indústria cruel e, acima de tudo, uma homenagem a uma era de ouro do cinema.
Apesar de ser longo, a narrativa se desenvolve de forma muito envolvente. O final, claro, tem a marca registrada do Tarantino, com uma mudança brusca de tom que faz valer cada minuto investido. Recomendo muito para quem quer ver um drama ambientado em Hollywood com um visual espetacular e uma direção de primeira.
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