Marighella: Uma análise direta sobre o filme de Wagner Moura
Se você curte cinema nacional e gosta de tramas baseadas em fatos, provavelmente já ouviu falar no filme Marighella. Eu decidi assistir para tirar minhas próprias conclusões, sem me deixar levar por todo o barulho que fizeram antes mesmo da estreia.
Vou ser direto aqui: é um filme de ação e drama pesado. Não é aquele tipo de cinema para relaxar no domingo à tarde. A narrativa é crua, a câmera é agitada e o som é alto. A minha ideia neste artigo é te passar a visão real do que esperar, falando sobre a produção, o elenco e os detalhes técnicos, sem entregar o ouro com spoilers.
Ficha técnica e o contexto de lançamento
Primeira coisa que chama a atenção é a data de lançamento. O filme ficou pronto em 2019 e rodou festivais internacionais, como o de Berlim, mas só chegou aos cinemas brasileiros em novembro de 2021. Teve muita discussão burocrática e política no meio, mas, focando no produto final, o atraso só aumentou a curiosidade.
O título original é simplesmente "Marighella", baseado na biografia escrita pelo jornalista Mário Magalhães.
Para quem liga para números, a nota no IMDb costuma flutuar ali na casa dos 6.3 a 6.6. É uma nota honesta. Não é uma obra-prima inquestionável, mas tecnicamente é muito bem feito.
Direção de Wagner Moura e um elenco que segura a bronca
Esse foi o primeiro longa-metragem com o Wagner Moura na direção. O cara já tinha moral como ator e mostrou que sabe comandar um set. Ele optou por uma câmera na mão, bem estilo documentário de guerra, o que te deixa meio tonto em algumas cenas, mas coloca a gente dentro da ação.
Agora, sobre os atores, a escalação foi arriscada e funcionou.
Seu Jorge interpreta Carlos Marighella. Eu fiquei desconfiado no início, mas o cara entrega uma atuação sóbria. Ele impõe respeito pela presença física e voz, sem precisar gritar o tempo todo.
Bruno Gagliasso faz o delegado Lúcio. É o antagonista. O Bruno mandou bem fazendo um personagem detestável, frio e técnico na hora da tortura.
Adriana Esteves e Humberto Carrão também estão no elenco e cumprem bem seus papéis, dando suporte para a trama principal.
Locações, trilha sonora e atmosfera
O filme não economizou na produção. As locações de filmagem passaram por São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia. Dá para perceber o cuidado em recriar a atmosfera do final dos anos 60. Carros de época, figurino, arquitetura do centro de São Paulo, tudo convence. Não parece novela, parece cinema mesmo.
A trilha sonora é outro ponto que eu preciso destacar. Tem uma pegada forte, misturando suspense com sons mais urbanos. E, claro, a presença dos Racionais MC's com "Mil Faces de um Homem Leal" nos créditos finais amarra tudo. É uma música que já era clássica e casou perfeitamente com a proposta do diretor.
Curiosidades sobre a produção
Para fechar, separei algumas coisas de bastidores que achei interessantes enquanto pesquisava sobre o filme:
Transformação física: O Seu Jorge teve que ganhar peso e mudar a postura para viver o guerrilheiro. A caracterização focou muito em deixar ele com uma aparência de "homem comum" e cansado.
Cenas de ação: O Wagner Moura quis o mínimo de dublês possível nas cenas de tiroteio. A ideia era passar o desespero real dos personagens, e não fazer uma coreografia bonita estilo Hollywood.
O livro base: O roteiro adaptou apenas os últimos cinco anos da vida de Marighella, baseados no livro "Marighella: O Guerrilheiro que Incendiou o Mundo". Se tentassem contar a vida toda, viraria uma minissérie.
Resumindo: O filme é tecnicamente competente, tem atuações fortes e uma direção que não tem medo de mostrar violência. Se você gosta de cinema político e de ação policial, vale o ingresso ou o play no streaming.
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