Se você cresceu assistindo à Sessão da Tarde, sabe que existem filmes que não são apenas entretenimento, são um estado de espírito. Os Aventureiros do Bairro Proibido (ou Big Trouble in Little China) é exatamente esse tipo de obra. Lançado em 1986, o filme é uma mistura doida de artes marciais, misticismo chinês e comédia, tudo embrulhado em uma estética oitentista impecável.
Vou te contar por que esse clássico do John Carpenter continua sendo um dos meus filmes favoritos e o que faz dele uma peça tão única no cinema de ação.
O herói que, na verdade, é um coadjuvante
O que eu mais gosto aqui é o Jack Burton, interpretado pelo Kurt Russell. Diferente dos heróis brucutus da época que resolviam tudo sozinhos, o Jack é um motorista de caminhão fanfarrão que passa boa parte do filme perdido. Ele acha que é o protagonista, mas quem resolve a parada mesmo é o Wang Chi (Dennis Dun).
Essa dinâmica quebra totalmente o clichê. O elenco ainda conta com a Kim Cattrall e o lendário James Hong no papel do vilão David Lo Pan. É um time que entrega uma química pesada, fazendo com que as situações mais absurdas pareçam críveis dentro daquele universo subterrâneo de San Francisco.
Misticismo, porradas e efeitos práticos
A história começa quando a noiva do Wang é sequestrada por uma gangue de rua, e o Jack acaba se metendo no meio de uma guerra milenar. A direção do Carpenter brilha ao mostrar o "Bairro Proibido" como um submundo cheio de monstros, feiticeiros e guerreiros elementais (os Três Tempestades).
Um ponto alto é a trilha sonora, composta pelo próprio John Carpenter em parceria com Alan Howarth. É puro sintetizador, criando aquele clima de urgência e mistério que só os anos 80 conseguiam produzir. Mesmo sem grandes premiações de destaque na época (o filme foi um fracasso de bilheteria inicial), ele ganhou o status de cult absoluto com o passar dos anos.
Por trás das câmeras e curiosidades
Muita gente não sabe, mas o roteiro original era para ser um faroeste. Foi só depois que decidiram trazer a trama para os tempos modernos. As locações de filmagem se dividiram entre os palcos da 20th Century Fox e as ruas reais da Chinatown de San Francisco, o que deu um ar de autenticidade para as cenas externas.
Atualmente, o filme sustenta uma nota 7.2 no IMDb, o que é bem respeitável para uma produção que não se leva nem um pouco a sério. Outra curiosidade bacana é que o Kurt Russell estava com uma gripe terrível durante as filmagens, mas seguiu gravando as cenas de ação mesmo assim, o que talvez explique aquela cara de "não sei o que está acontecendo" que o Jack Burton carrega o tempo todo.
Por que você deveria rever hoje?
A beleza de Os Aventureiros do Bairro Proibido é que ele não envelheceu mal. Os efeitos práticos — bonecos, maquiagem e cabos — têm um charme que o CGI moderno dificilmente consegue replicar. É um filme honesto: ele te promete uma aventura psicodélica e entrega exatamente isso, sem tentar ser profundo demais ou dar lição de moral.
Se você está a fim de ver uma pancadaria bem coreografada, diálogos rápidos e um vilão de 2 mil anos de idade tentando recuperar sua forma física, dê o play. É diversão garantida, sem erro.
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