Falar de Cleopatra é falar de um dos projetos mais insanos e ambiciosos que Hollywood já teve coragem de tirar do papel. Se você gosta de cinema, sabe que esse filme é praticamente um monumento. Assisti de novo recentemente e decidi reunir aqui tudo o que você precisa saber sobre essa obra, sem enrolação e com aquele olhar mais direto sobre os fatos por trás das câmeras.
O nascimento de um gigante do cinema clássico
Lançado oficialmente em 12 de junho de 1963, o filme traz o título original de Cleopatra. A direção ficou nas mãos de Joseph L. Mankiewicz, que teve a tarefa hercúlea de organizar um caos que parecia não ter fim. O elenco é pesado: Elizabeth Taylor vive a rainha do Egito, acompanhada por Richard Burton como Marco Antônio e Rex Harrison como Júlio César.
A história foca na ascensão e nas manobras políticas e amorosas de Cleópatra para manter o poder e a independência do Egito frente ao Império Romano. É um roteiro que foca muito mais na estratégia e nos diálogos densos do que em ação desenfreada, o que dá um tom bem maduro para a produção. Atualmente, o filme segura uma nota 7.0 no IMDb, o que é bem honesto para uma obra com mais de quatro horas de duração.
Premiações e a trilha sonora marcante
Mesmo com toda a polêmica sobre o orçamento estourado, o filme não passou batido nas premiações. Cleopatra levou quatro estatuetas no Oscar: Melhor Direção de Arte, Melhor Fotografia, Melhores Efeitos Visuais e Melhor Figurino. E faz total sentido; visualmente, o filme é impecável até hoje.
A trilha sonora, composta por Alex North, é outro ponto alto. Ela não é aquele tipo de música que tenta te emocionar à força; ela é grandiosa, pontua bem os momentos de tensão política e ajuda a criar aquele clima de "épico" que o Mankiewicz queria passar. É o tipo de som que preenche a sala sem precisar de muitos artifícios.
Locações reais e a escala da produção
Uma das coisas que mais me impressiona é que, naquela época, não existia tela verde. Se você vê uma cidade, é porque construíram uma cidade. As filmagens passaram por lugares como:
Itália: Grande parte foi rodada nos estúdios Cinecittà, em Roma.
Espanha: Almería serviu de cenário para diversas sequências.
Egito: Algumas externas foram feitas no próprio local histórico.
Inglaterra: As primeiras tentativas de filmagem (que foram descartadas) aconteceram em Pinewood Studios.
Essa escala física dá uma textura ao filme que o CGI moderno raramente consegue replicar. Você sente o peso do mármore e a vastidão dos desertos.
Curiosidades que superam a ficção
O que aconteceu nos bastidores de Cleopatra daria outro filme. Aqui estão alguns fatos que mostram o tamanho da encrenca:
O Orçamento: O filme quase faliu a 20th Century Fox. Ele começou custando 2 milhões de dólares e terminou na casa dos 44 milhões (valores da época). Corrigido pela inflação, seria um dos filmes mais caros da história até hoje.
Elizabeth Taylor: Ela foi a primeira atriz a receber 1 milhão de dólares por um único trabalho. Além disso, ela usou nada menos que 65 figurinos diferentes.
O Romance Real: Foi durante as gravações que Taylor e Richard Burton começaram o caso extraconjugal que virou escândalo mundial, o que acabou ajudando (e muito) na divulgação do filme.
Duração Original: O primeiro corte do diretor tinha seis horas. O estúdio quase teve um colapso e obrigou Mankiewicz a cortar para as quatro horas que conhecemos.
Cleopatra é um sobrevivente. É um filme que sobreviveu a trocas de diretores, doenças do elenco e um custo financeiro absurdo para se tornar um marco. Se você quer entender como Hollywood funcionava no seu auge de excessos, precisa dedicar uma tarde para assistir a essa obra.
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