Se você está procurando uma comédia dramática que foge do óbvio e entrega uma crítica social ácida com elegância europeia, Madame (2017) precisa entrar na sua lista. Eu assisti ao filme e, sinceramente, ele entrega exatamente o que propõe: uma sátira afiada sobre classes sociais sem precisar de explosões ou reviravoltas mirabolantes.
Neste texto, vou decompor os detalhes técnicos e as curiosidades que fazem dessa obra algo acima da média.
O que esperar da trama de Madame?
A história gira em torno de Anne e Bob, um casal americano rico que se muda para uma mansão em Paris. Para impressionar amigos da alta sociedade em um jantar, eles percebem que há 13 convidados à mesa — um número que a supersticiosa Anne não aceita. A solução? Vestir a empregada de confiança, Maria, como uma nobre espanhola para equilibrar o número.
O problema (ou a diversão) começa quando um marchand britânico se apaixona por Maria, acreditando na farsa. O filme não tenta ser uma comédia rasgada; ele foca no desconforto e no ego ferido da elite.
Informações Técnicas:
Título Original: Madame
Data de Lançamento: 18 de janeiro de 2018 (Brasil)
Diretor: Amanda Sthers
Nota IMDb: 6.1/10
Elenco de peso e direção refinada
O que me manteve preso à tela foi a atuação. Toni Collette (Anne) entrega aquela arrogância passivo-agressiva de forma impecável, enquanto Harvey Keitel (Bob) faz o papel do marido que tenta apenas manter as aparências. Mas quem rouba a cena é Rossy de Palma (Maria). A atriz, conhecida por ser a musa de Pedro Almodóvar, traz uma dignidade e uma vulnerabilidade para a empregada que fazem você torcer por ela desde o primeiro minuto.
A direção de Amanda Sthers é direta. Ela não perde tempo com floreios visuais desnecessários, focando nos diálogos e nas expressões faciais que revelam o preconceito velado dos personagens.
Trilha sonora e locações: O charme de Paris
Se tem uma coisa que esse filme acerta é na ambientação. Filmado inteiramente em Paris, a produção aproveita a luz natural da cidade e a arquitetura das mansões luxuosas para criar um contraste entre a beleza externa e a mesquinhez interna dos protagonistas.
A trilha sonora, composta por Matthieu Gonet, complementa bem o clima. É uma sonoridade leve, que remete aos clássicos franceses, mas com um toque moderno que acompanha o ritmo da narrativa. Não é o tipo de trilha que você vai baixar para ouvir no carro, mas dentro do filme, ela funciona como uma luva para pontuar a ironia das cenas.
Curiosidades e Premiações
Embora não tenha sido um fenômeno de bilheteria mundial ou um "papa-Oscars", Madame circulou bem em festivais europeus e foi indicado ao Sydney Film Festival. É o tipo de filme que ganha valor no "boca a boca" entre quem gosta de cinema independente.
Algumas curiosidades rápidas:
A escolha de Rossy: A diretora escreveu o papel de Maria especificamente para Rossy de Palma.
Visão Feminina: Apesar da minha narrativa aqui ser masculina e direta, o filme tem um olhar feminino muito forte sobre o envelhecimento e a invisibilidade social.
Realismo Social: O jantar que inicia o conflito foi baseado em experiências reais da diretora em jantares da alta classe parisiense.
No fim das contas, Madame é um filme sobre máscaras. É funcional, bem filmado e entrega uma crítica necessária sem ser palestrinha. Se você gosta de ver a hipocrisia sendo exposta em um ambiente luxuoso, vale o play.
Nenhum comentário:
Postar um comentário