Eu sempre curti distopias, mas o conceito de Máquinas Mortais (título original: Mortal Engines) é outro nível. Imagina cidades inteiras montadas sobre rodas gigantes, caçando umas às outras em um mundo devastado. É o tipo de ideia que, no papel, parece maluca, mas visualmente é muito louco. Assisti ao filme focado na construção desse universo e, mesmo anos após o lançamento em dezembro de 2018, ele ainda entrega uma escala difícil de ignorar.
Se você está buscando algo que foge do óbvio no gênero pós-apocalíptico, vale a pena entender o que rola nessa produção.
O dedo de Peter Jackson e a direção de Christian Rivers
Muita gente associa o filme diretamente ao Peter Jackson, o que não deixa de ser verdade, já que ele produziu e escreveu o roteiro. Mas quem assina a direção é Christian Rivers. Ele trabalhou anos com efeitos visuais no Senhor dos Anéis, e isso explica por que o filme é tão bonito.
A trama foca em Hester Shaw (Hera Hilmar), uma fugitiva que quer vingança contra Thaddeus Valentine (vivido pelo sempre ótimo Hugo Weaving). No meio disso, entra o Tom Natsworthy (Robert Sheehan), um cara de Londres que acaba jogado na "Terra Crua". O ritmo é acelerado e o foco é total na ação e no visual, sem muita enrolação sentimental.
Trilha sonora pesada e locações épicas
Um dos pontos altos para mim é a trilha sonora. Ela foi composta pelo Junkie XL (Tom Holkenborg), o mesmo cara de Mad Max: Estrada da Fúria. O som é industrial, barulhento e grandioso, combinando perfeitamente com o barulho das engrenagens de Londres se movendo.
Sobre onde tudo aconteceu: as filmagens rolaram na Nova Zelândia. Faz todo o sentido, considerando a infraestrutura que o Peter Jackson montou por lá. O uso de cenários reais misturados com CGI de ponta rendeu ao filme o prêmio da Visual Effects Society (VES) por seus modelos em escala, o que é um baita reconhecimento técnico.
Notas, recepção e onde ele se encaixa
Sendo bem direto: a nota no IMDb é 6.1. Não é uma obra-prima do roteiro, e a crítica na época foi meio dividida. O filme foca muito mais na experiência visual e no conceito de "Darwinismo Municipal" do que em diálogos profundos.
Ainda assim, para quem gosta de steampunk e de ver cidades gigantescas se atropelando, ele entrega o que promete. É um entretenimento honesto, feito para ser visto em uma tela grande e com um bom sistema de som.
Curiosidades que você talvez não saiba
Existem alguns detalhes de bastidores que tornam a experiência de assistir mais interessante:
O tamanho de Londres: Na história, a Londres motorizada tem cerca de 2,5 km de comprimento e 1,5 km de altura.
Base literária: O filme é baseado no primeiro livro da série de Philip Reeve. Tem muito mais história ali se você curtir o universo.
Participações especiais: O próprio Philip Reeve faz uma pontinha rápida como figurante em uma das cenas.
Tempo de produção: O projeto ficou na gaveta do Peter Jackson por quase uma década até a tecnologia de efeitos visuais chegar ao nível que ele queria.
No fim das contas, Máquinas Mortais é um filme de escala. Se você desligar o modo "crítico literário" e aproveitar a jornada visual, a experiência vale as duas horas.
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