Se você curte o cinema de ação visceral dos anos 80, sabe que o nome Charles Bronson é quase um sinônimo de justiça urbana. Recentemente, resolvi revisitar Desejo de Matar 2 (título original: Death Wish II), a sequência que elevou o tom da franquia e consolidou Paul Kersey como o vigilante mais implacável das telas.
Diferente do primeiro filme, que tinha um ar mais psicológico, aqui o negócio é mais direto ao ponto. Vou te contar o que faz desse longa um item obrigatório na estante (ou no streaming) de qualquer fã do gênero, sem entregar detalhes que estraguem a experiência.
O Retorno de Paul Kersey: A Mudança de Cenário
Desta vez, a história deixa a cinzenta Nova York e se muda para a ensolarada, mas igualmente perigosa, Los Angeles. O arquiteto Paul Kersey tenta reconstruir sua vida, mas o destino — e o roteiro — não dão trégua. O que me chama a atenção em Desejo de Matar 2 é como o diretor Michael Winner não perde tempo com sutilezas.
Lançado oficialmente em 1982, o filme é um retrato fiel da época: bruto, seco e sem muitas concessões para o politicamente correto. É um filme de "homem comum" levado ao limite, um tema que Bronson dominava como ninguém.
Elenco, Direção e a Trilha de uma Lenda
Bronson continua com aquela cara de poucos amigos que a gente respeita. Ao lado dele, temos Jill Ireland, que na vida real era sua esposa, trazendo uma dinâmica mais pessoal para a tela. Um detalhe interessante é ver um jovem Laurence Fishburne (creditado como Larry Fishburne) em um de seus primeiros papéis, bem antes de brilhar em Matrix.
Na parte técnica, a direção de Michael Winner mantém o ritmo acelerado. Mas o que realmente me pegou foi a trilha sonora. Diferente do jazz do primeiro filme, aqui a pegada é o rock progressivo e blues de ninguém menos que Jimmy Page, o mestre do Led Zeppelin. A guitarra dele dá um tom sujo e urbano que combina perfeitamente com as perseguições nas ruas de L.A.
Notas, Premiações e Locações
Se você for olhar no IMDb, a nota atual gira em torno de 6.0. Pode parecer pouco para os padrões de hoje, mas para um filme de exploração e ação dos anos 80, é uma marca sólida. Em termos de premiações, ele não foi exatamente o queridinho do Oscar — pelo contrário, chegou a ser indicado ao Framboesa de Ouro na época — mas o tempo provou que o valor aqui é o entretenimento bruto e o status de cult.
As filmagens ocorreram em locações reais de Los Angeles, o que dá um ar de realismo urbano. Você sente o clima das ruas, dos becos e da decadência daquela zona metropolitana no início da década de 80. Não é um cenário de cartão-postal, é o lado B da cidade.
Curiosidades que você precisa saber
Para quem gosta de bastidores, Desejo de Matar 2 tem alguns fatos curiosos:
A violência: O filme foi considerado muito mais pesado que o original, enfrentando vários cortes da censura em diversos países antes de chegar aos cinemas.
O reencontro: Esta foi a primeira de várias colaborações entre Bronson e a produtora Cannon Group, que viria a dominar o mercado de filmes de ação nos anos seguintes.
Sucesso comercial: Apesar das críticas na época, foi um estouro de bilheteria, o que garantiu mais três sequências para a franquia.
No fim das contas, Desejo de Matar 2 é um filme para quem gosta de ver o herói agindo por conta própria quando o sistema falha. É cinema de entretenimento puro, sem firulas. Se você quer ver Bronson em seu auge, empunhando sua justiça com firmeza, esse filme é o lugar certo.
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