Se você curte cinema de terror, provavelmente já ouviu falar que "não deve seguir a luz". Poltergeist - O Fenômeno é um daqueles clássicos que moldaram o gênero nos anos 80 e, até hoje, continua sendo uma referência visual e narrativa absurda.
Vou te contar por que esse filme ainda é relevante e o que faz dele uma peça tão curiosa da história do cinema.
O clássico que transformou a TV em pesadelo
Lançado originalmente em 4 de junho de 1982, o filme chegou com o título original Poltergeist. A trama foca na família Freelings, que vive em uma daquelas vizinhanças planejadas perfeitas da Califórnia, até que coisas estranhas começam a acontecer através do aparelho de televisão.
O que diferencia Poltergeist de outros filmes de "casa assombrada" é a escala. Ele não fica só nos sustos sutis; a coisa escala para algo visceral. A direção é assinada por Tobe Hooper (o mesmo de O Massacre da Serra Elétrica), mas a mão do produtor e roteirista Steven Spielberg está em cada frame. Essa mistura do horror cru do Hooper com o encantamento suburbano do Spielberg criou uma atmosfera única.
No IMDb, o filme ostenta uma nota sólida de 7.3, o que é bem alto para o gênero horror daquela época.
Elenco, trilha sonora e o clima dos bastidores
O elenco entregou uma naturalidade que faz você acreditar naquela família. Temos Craig T. Nelson e JoBeth Williams como os pais, mas quem roubou a cena foi a pequena Heather O'Rourke (Carol Anne) e a icônica Zelda Rubinstein, a médium Tangina.
Um ponto que sempre me chama a atenção é a trilha sonora. Composta pelo mestre Jerry Goldsmith, ela transita entre melodias infantis doces e temas orquestrais que te deixam em estado de alerta. Não é à toa que o filme recebeu indicações ao Oscar em três categorias:
Melhor Trilha Sonora Original
Melhores Efeitos Visuais
Melhor Edição de Som
As locações de filmagem ajudaram a criar esse realismo. A maioria das cenas externas foi rodada em Simi Valley, na Califórnia. Ver aquela casa comum se transformando em um epicentro do caos é o que realmente mexe com quem assiste.
Curiosidades e a suposta maldição do set
Não dá para falar de Poltergeist sem mencionar as lendas urbanas. Muita gente acredita que o filme é "maldito" devido a tragédias reais com membros do elenco nos anos seguintes às filmagens.
Mas, deixando o misticismo de lado, tem um fato técnico que é de arrepiar: para economizar e dar mais realismo, a produção usou esqueletos humanos reais em uma das cenas mais famosas da piscina. Pois é, nada de plástico ou borracha. Os atores só descobriram isso depois.
Outra curiosidade é a eterna discussão sobre quem realmente dirigiu o filme. Embora Hooper esteja nos créditos, muitos relatos dizem que Spielberg estava no set o tempo todo, ditando o ritmo e o visual das cenas, já que ele não podia assinar a direção oficialmente por questões contratuais com outro projeto (E.T. - O Extraterrestre).
Por que você deve (re)assistir Poltergeist hoje
Mesmo depois de décadas, os efeitos práticos de Poltergeist envelheceram muito melhor do que muito CGI moderno. Ele consegue ser um filme de terror que não depende apenas de sangue (gore), mas sim de uma tensão psicológica e visual constante.
É um filme sobre a invasão do sagrado lar por algo inexplicável. Se você gosta de entender as raízes do terror moderno, ele é obrigatório. É o tipo de produção que te faz olhar para a estática da TV de um jeito diferente, mesmo que as TVs de hoje nem tenham mais estática.
Nenhum comentário:
Postar um comentário