Olha, vou ser bem direto com você: nem todo clássico envelhece como vinho. Tem uns que parecem mais um suco de uva que ficou aberto na geladeira por tempo demais. Quem Encontra um Amigo, Encontra um Tesouro (Chi trova un amico, trova un tesoro) é um desses casos.
Se você cresceu assistindo à Sessão da Tarde, talvez tenha uma memória afetiva gigante com o Bud Spencer e o Terence Hill. Mas, revisitando a obra agora em 2026, a experiência é outra. Senta aí, vamos bater um papo sobre por que esse filme é bem mais cansativo do que a gente lembrava.
O enredo que não sai do lugar
Lançado em 1981, o filme dirigido por Sergio Corbucci tenta seguir a fórmula de sucesso da dupla: um grandalhão ranzinza (Alan, vivido pelo Bud Spencer) e um loiro esperto e folgado (Charlie, o Terence Hill).
A premissa é aquela de sempre. O personagem do Hill invade o barco do Spencer com um mapa de um tesouro escondido em uma ilha deserta. Eles acabam parando nessa tal ilha, que, para surpresa de ninguém, não está tão deserta assim. O problema é que o ritmo é arrastado. A história demora para engrenar e, quando engrena, você já está olhando para o relógio.
Atuações e aquela nota no IMDB que eu não entendo
No elenco, além dos protagonistas, temos nomes como John Fujioka e Louise Bennett. Sendo honesto? A química do Bud Spencer e do Terence Hill é o que carrega o filme nas costas. Sem eles, seria um desastre completo.
Mesmo assim, a nota no IMDB está na casa dos 7.2. Para mim, isso é puro suco de nostalgia de quem assistiu isso com 10 anos de idade. Se fosse um filme lançado hoje, com esse roteiro raso, dificilmente passaria de um 5.0. Não espere grandes atuações ou diálogos profundos; é o básico do básico para justificar a próxima cena de pancadaria coreografada.
Uma trilha sonora que cansa e locações desperdiçadas
A trilha sonora ficou por conta do grupo La Bionda. É aquela pegada disco/pop dos anos 80 que, no começo, até parece legal, mas a música principal se repete tanto que vira um chiclete incômodo na cabeça.
Quanto às locações, o filme foi rodado na Flórida (EUA), especificamente em Key Biscayne e algumas áreas que simulam a tal ilha tropical. A fotografia não aproveita bem o cenário. Em vez de passar aquela sensação de aventura épica e isolamento, parece que os caras estão gravando em um resort de férias meio decadente.
Curiosidades e a falta de prêmios
Se você procura por premiações, pode tirar o cavalinho da chuva. O filme não levou estatuetas importantes, o que faz sentido, já que era puro entretenimento de massa sem pretensão artística.
Aqui vão alguns pontos que talvez você não saiba:
O Soldado Japonês: O personagem Kamasuka é inspirado em soldados reais que ficaram escondidos em ilhas após a Segunda Guerra, sem saber que o conflito tinha acabado.
Dublagem: Como era comum no cinema italiano da época, o filme foi rodado em inglês (para facilitar a exportação), mas os atores se dublavam depois.
Fórmula Repetitiva: Este foi o 12º filme da dupla Spencer e Hill. O cansaço deles com o formato já começava a transparecer na tela.
Vale a pena assistir hoje?
Se você quer desligar o cérebro e ver dois caras dando sopapos em figurantes por uma hora e meia, vai fundo. Mas não espere nada além disso. O humor é datado, o roteiro é previsível e aquela "magia" do cinema de aventura parece bem desgastada.
No fim das contas, o título diz que quem encontra um amigo encontra um tesouro, mas, nesse caso, eu achei apenas uma perda de tempo bem filmada.
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