Eu sempre fui fã de ficção científica que foca menos em homenzinhos verdes e mais no que acontece com a cabeça de quem fica preso no vácuo do espaço. Recentemente, parei para assistir Rubikon: Ponto sem Retorno, um filme austríaco que chegou com uma premissa pesada. Se você gosta desse clima de isolamento e decisões morais impossíveis, vale a pena entender o que esse projeto entrega.
O que é Rubikon e por que a premissa incomoda
O filme, cujo título original é apenas Rubikon, foi lançado em julho de 2022 e coloca a gente dentro de uma estação espacial em um futuro não muito distante, em 2056. A Terra está um caos, coberta por uma névoa tóxica que parece ter acabado com tudo. Os tripulantes da estação ficam naquele dilema: eles voltam para tentar ajudar quem sobrou ou ficam seguros na estação, mantendo o ecossistema deles vivo?
A direção é da Magdalena Lauritsch, que faz sua estreia em longas metragens aqui. Ela consegue criar uma atmosfera bem claustrofóbica, sem precisar de explosões a cada cinco minutos. É um filme de ritmo mais lento, focado no peso das escolhas. A nota no IMDb gira em torno de 5.0, o que eu acho um pouco injusto se você considerar que é uma produção independente que não teve os bilhões de Hollywood.
O elenco e a força da produção austríaca
No comando da história temos a atriz Julia Franz Richter, que entrega uma performance bem sólida como Hannah. Ela divide a tela com George Blagden (que muita gente conhece de Vikings) e o veterano Mark Ivanir. O trio segura bem a barra, já que o filme depende basicamente da interação entre eles para funcionar. Não tem muita distração, é o conflito humano ali no centro.
Um ponto que me chamou a atenção foram as locações de filmagem. Apesar de se passar no espaço, tudo foi rodado em Viena, na Áustria, dentro de estúdios que foram transformados em uma estação espacial bem convincente. A produção não parece barata. Inclusive, o filme levou alguns prêmios no Austrian Film Award, vencendo em categorias como Melhor Design de Produção e Melhor Som, o que mostra que tecnicamente os caras mandaram muito bem.
Trilha sonora e curiosidades dos bastidores
A trilha sonora, assinada por Wolf-Maximilian Liebich, ajuda muito a manter aquele clima de tensão constante. Não é uma música que você vai assobiar por aí, mas ela cumpre o papel de te deixar desconfortável, combinando com o visual meio sujo e industrial da estação.
Uma curiosidade interessante é que a produção se preocupou muito com a sustentabilidade na vida real. Eles tentaram fazer um "set verde", reduzindo ao máximo o impacto ambiental durante as gravações, o que casa perfeitamente com a temática ecológica do filme. Além disso, o nome "Rubikon" faz referência à expressão "atravessar o Rubicão", que significa tomar uma decisão da qual não se pode voltar atrás. É bem direto ao ponto.
Vale a pena assistir ao Ponto sem Retorno?
Se você está esperando um filme de ação espacial tipo Star Wars, vai se decepcionar. Rubikon: Ponto sem Retorno é para quem gosta de pensar. É um filme sobre ética, sobre o que nos torna humanos quando o resto do mundo parece ter acabado. Ele não te entrega respostas fáceis e o final deixa aquele gosto de "o que eu faria no lugar deles?".
Para quem curte produções como Moon ou Sunshine, é uma boa pedida para um domingo à noite. É direto, visualmente bonito e honesto com o que se propõe a ser.
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