Se você é fã de Western Spaghetti, sabe que a década de 60 foi uma terra sem lei para o cinema italiano. Eu estava revisitando alguns títulos dessa época e parei em Django o último matador, lançado originalmente em 1967 com o título L'ultimo killer. Vou ser direto com você: o filme é um produto típico do seu tempo, mas não espere encontrar aqui a mesma genialidade dos clássicos de Sergio Leone.
O longa foi dirigido por Giuseppe Vari e traz George Eastman (nome artístico de Luigi Montefiori) no papel principal. A história segue aquela fórmula batida do jovem que busca vingança e precisa aprender a atirar com um mestre veterano. É o básico do gênero, entregue de uma forma que, para ser honesto, às vezes cansa pela falta de originalidade.
Django o último matador e a febre do Western Spaghetti
A primeira coisa que você precisa entender sobre esse filme é que o nome "Django" no título brasileiro é puro marketing. Naquela época, o sucesso do personagem de Franco Nero era tão gigante que as distribuidoras enfiavam o nome Django em qualquer faroeste que chegasse ao mercado. O título original, L'ultimo killer, faz muito mais sentido para a trama, que foca na transição de um homem comum para um assassino frio.
Lançado em 1967, o filme tenta pegar carona na estética suja e violenta que definiu o gênero, mas o roteiro é previsível. George Eastman, apesar de ter a estampa de um herói de faroeste, entrega uma atuação um tanto engessada. Ele faz o papel de Ramon, um cara que vê sua família ser destruída e decide que a única saída é o chumbo. É aquela narrativa masculina clássica, seca e sem espaço para muitos sentimentos, focada apenas no objetivo final.
A direção de Giuseppe Vari e o peso de George Eastman
Giuseppe Vari não era um diretor de primeira linha, e isso fica claro em algumas escolhas de montagem. O ritmo do filme é oscilante. Em alguns momentos, a tensão funciona, mas em outros, a gente sente que a cena se arrasta mais do que o necessário. Além de Eastman, o elenco conta com Anthony Ghidra, que acaba entregando uma performance mais sólida que a do protagonista.
No IMDb, o filme ostenta uma nota modesta de 5.8. Não é um desastre, mas mostra que ele está longe de ser uma unanimidade entre os críticos e o público. Ele não recebeu premiações de destaque, o que não surpreende ninguém que conheça bem o circuito de faroestes B da Itália. É um filme para quem realmente gosta de garimpar o gênero e não se importa com clichês.
Onde o filme foi gravado e os detalhes técnicos
Se tem uma coisa que me agrada nesse tipo de produção são as locações. Como a maioria dos Westerns Italianos, as filmagens aconteceram principalmente na Itália, nos arredores de Roma e nos famosos Elios Studios. Mesmo com um orçamento visivelmente apertado, eles conseguem criar aquele ambiente árido e desolador que a gente espera de um deserto na fronteira.
A trilha sonora ficou por conta de Roberto Pregadio. Veja bem, Pregadio é um bom compositor, mas aqui ele parece estar operando no piloto automático. A música cumpre o papel de preencher o silêncio e pontuar os duelos, mas você provavelmente não vai sair cantarolando o tema principal como faria com uma composição de Ennio Morricone. É funcional, apenas isso.
Curiosidades e por que ele não é um clássico absoluto
Existem alguns pontos curiosos sobre essa produção que valem a menção:
Marketing enganoso: Como eu disse, não existe ligação real com o Django original.
George Eastman: O ator ficou muito mais famoso anos depois em filmes de terror e exploração, como o infame Antropophagus.
Violência: Para 1967, o filme até que tem uma dose honesta de brutalidade, o que era a marca registrada do gênero na Itália.
No fim das contas, Django o último matador é um filme mediano. Ele diverte se você estiver em um domingo chuvoso sem nada melhor para fazer, mas a falta de um roteiro mais afiado e de um protagonista mais carismático impede que ele suba de patamar. É o tipo de obra que a gente assiste, reconhece o esforço, mas esquece os detalhes fundamentais uma semana depois.
Nenhum comentário:
Postar um comentário