Cara, se tem um filme que realmente define o que é o "horror corporal", esse filme é A Mosca. Lembro da primeira vez que assisti: não é só um filme de monstro, é uma descida lenta e agoniante para o inevitável.
Se você curte cinema que te deixa desconfortável e fascinado ao mesmo tempo, esse clássico do David Cronenberg é parada obrigatória. Vou te contar por que ele ainda é tão relevante hoje, sem entregar o final para não estragar a experiência de quem ainda não viu.
O que faz de A Mosca um clássico absoluto?
Lançado originalmente em 15 de agosto de 1986, o título original é The Fly. O filme é, na verdade, um remake de uma obra de 1958, mas o Cronenberg pegou a ideia básica — um cientista que se funde com uma mosca em um experimento de teletransporte — e transformou em algo muito mais visceral e psicológico.
A trama foca em Seth Brundle, um cientista brilhante e meio recluso, interpretado por Jeff Goldblum. Ele constrói "telepods" que podem transportar matéria, mas quando decide testar em si mesmo, uma mosca entra na cabine sem que ele perceba. O que acontece depois não é uma transformação instantânea, mas uma mutação biológica lenta.
Elenco, direção e o clima técnico do filme
O filme é carregado por três nomes principais. O Goldblum entrega o que eu considero a melhor atuação da carreira dele. Ele passa de um cara empolgado e atlético para algo... bem diferente. Ao lado dele, temos Geena Davis como Veronica Quaife, a jornalista que documenta o processo e acaba vivendo um pesadelo. A química entre os dois é real, até porque eles eram um casal na época. O elenco ainda conta com John Getz.
Na parte técnica, o negócio fica sério:
Diretor: David Cronenberg, o mestre da biologia distorcida.
Nota no IMDb: Atualmente ostenta sólidos 7.6/10, o que é muito alto para um filme de terror.
Trilha Sonora: Composta por Howard Shore. É uma música operística, pesada e sombria, que dá o tom de tragédia clássica para a história.
Locações: Quase todo o filme foi rodado em Toronto, no Canadá. O clima frio e urbano ajuda a passar aquela sensação de isolamento do laboratório.
Maquiagem e premiações que fizeram história
Não dá para falar de A Mosca sem mencionar os efeitos práticos. Hoje em dia, tudo é resolvido com computação gráfica, mas em 1986, o que você via na tela estava lá de verdade. A evolução da maquiagem é tão impressionante que o filme levou o Oscar de Melhor Maquiagem em 1987 para Chris Walas e Stephan Dupuis.
O filme não é apenas "nojo por nojo". Muita gente na época associou a degradação física do protagonista a doenças reais, como o envelhecimento precoce ou até a epidemia de AIDS que estava no auge nos anos 80. É uma metáfora poderosa sobre a perda do controle sobre o próprio corpo.
Curiosidades que você provavelmente não sabia
Para fechar o papo, separei alguns fatos interessantes que mostram o nível de detalhe dessa produção:
O "Brundle-Museu": Sabe as partes que o personagem vai perdendo durante a transformação? Ele as guarda no armário do banheiro. É uma das cenas mais bizarras e famosas.
Dieta de açúcar: Para mostrar a mudança de metabolismo, o roteiro faz o Brundle consumir quantidades absurdas de açúcar. O Goldblum realmente teve que lidar com pilhas de doces no set.
Vomit Drop: A mosca da vida real vomita enzimas para digerir comida. O filme replica isso de um jeito que você nunca mais vai olhar para uma mosca da mesma forma.
Cameo do Diretor: O próprio Cronenberg faz uma ponta no filme como o ginecologista em uma sequência de sonho bem perturbadora.
Se você busca um filme que mistura ficção científica inteligente com um terror que mexe com o estômago e com a cabeça, assiste esse aqui. É cinema puro, direto e sem frescura.
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