Eu sempre curti filmes de super-herói, mas Hancock tem uma pegada diferente. Quando ele chegou aos cinemas em 2 de julho de 2008, o gênero ainda estava tentando se encontrar entre o realismo de Batman e o brilho do recém-nascido Homem de Ferro. Eu lembro de ter ido ao cinema esperando a fórmula de sempre, mas o que encontrei foi um cara quebrado, que não dava a mínima para a opinião pública e que preferia uma garrafa de uísque a salvar um gato no telhado.
Se você está procurando um filme que foge do padrão "herói escoteiro", Hancock — que mantém o mesmo título original — é uma escolha sólida. Sem dar spoilers, vou te contar por que esse filme ainda vale o seu tempo.
Direção, elenco e a nota no IMDb
A primeira coisa que me chamou a atenção foi o peso do elenco. Ter o Will Smith no auge da carreira interpretando um cara detestável foi uma jogada de mestre. Ao lado dele, temos a Charlize Theron, que entrega uma atuação misteriosa, e o Jason Bateman, que faz o papel do relações-públicas otimista que tenta limpar a barra do herói.
A direção ficou por conta de Peter Berg, um cara que sabe filmar ação com uma câmera mais "suja" e realista. No IMDb, o filme segura uma nota 6.4, o que eu considero justo. Não é uma obra-prima que vai mudar sua vida, mas é um entretenimento honesto que entrega uma desconstrução interessante do mito do herói.
Trilha sonora e as ruas de Los Angeles
Um ponto que muita gente deixa passar é a trilha sonora, assinada por John Powell. Ele conseguiu misturar elementos que dão o tom de solidão do personagem, mas que também crescem nos momentos de pancadaria. É o tipo de som que te deixa no clima do filme sem precisar de hits pop genéricos.
Sobre o visual, as locações de filmagem foram quase todas em Los Angeles. Você consegue identificar claramente a Hollywood Boulevard e as praias de Santa Monica. Ver o Hancock destruindo o asfalto de lugares tão icônicos dá um senso de realidade legal para a trama. O filme não se passa em uma cidade fictícia como Metrópolis ou Gotham; ele acontece no mundo real, com problemas de imagem reais.
Premiações e o impacto na época
Embora não tenha sido um "papa-Oscar", Hancock não passou em branco nas premiações. O filme levou o BMI Film Music Award pela trilha sonora e teve indicações no Teen Choice Awards e no Saturn Awards (focado em ficção científica e fantasia).
O sucesso foi mais de público do que de crítica especializada na época, arrecadando centenas de milhões de dólares ao redor do mundo. Para mim, isso prova que a galera estava sedenta por um personagem mais humano, com falhas evidentes e que não se encaixava no molde de perfeição que os quadrinhos costumam vender.
Curiosidades que você provavelmente não sabia
Para fechar o papo, separei algumas curiosidades que mostram como a produção foi interessante:
Roteiro antigo: O roteiro original circulou por Hollywood por quase dez anos antes de ser filmado. Ele era muito mais sombrio e pesado do que a versão que foi para o cinema.
Nome original: Antes de se chamar Hancock, o projeto tinha o título de "Tonight, He Comes".
Treinamento: Will Smith passou um bom tempo treinando para as cenas de voo com cabos para que os movimentos não parecessem artificiais demais, mesmo para um cara que é praticamente indestrutível.
Efeitos Visuais: Mesmo sendo um filme de 2008, os efeitos ainda seguram bem a onda hoje em dia, especialmente nas cenas em que o Hancock demonstra sua força bruta de forma desajeitada.
Se você quer entender como a imagem de um herói pode ser reconstruída do zero — ou se apenas quer ver o Will Smith sendo um cara durão por 90 minutos — Hancock é a pedida certa.
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