Cara, se você curte histórias que mostram o pior e o melhor do ser humano sem firulas, Raça e Redenção (título original: The Best of Enemies) é um daqueles filmes que merecem um espaço na sua lista. Assisti faz pouco tempo e a narrativa me pegou justamente por não tentar ser um "conto de fadas" sobre o racismo, mas sim um relato seco de como interesses comuns podem forçar mudanças improváveis.
Abaixo, organizei os pontos principais pra você entender por que esse filme ainda rende boas conversas.
O que esperar da trama de Raça e Redenção
O filme se passa em 1971, em Durham, na Carolina do Norte. A premissa é simples, mas tensa: uma ativista dos direitos civis, Ann Atwater, precisa sentar na mesma mesa que C.P. Ellis, o líder local da Ku Klux Klan. O objetivo? Resolver a crise de integração nas escolas da cidade após um incêndio em uma escola para crianças negras.
O que eu achei interessante aqui é a abordagem direta. Não há uma tentativa de suavizar quem as pessoas eram. O roteiro foca no processo de "charrette" — uma série de reuniões comunitárias — onde esses dois extremos são obrigados a conviver. É um filme sobre diálogo forçado e como o pragmatismo, às vezes, vence o ódio antes mesmo da empatia aparecer.
O elenco e a direção por trás da obra
Para sustentar um embate desse nível, o peso caiu nos ombros de Taraji P. Henson e Sam Rockwell. A Taraji entrega uma Ann Atwater visceral, sem medo do confronto físico ou verbal. Já o Rockwell, que parece ter se especializado em papéis de personagens problemáticos em processos de mudança, faz um C.P. Ellis contido, o que torna a transição dele mais crível.
A direção é de Robin Bissell, que também assina o roteiro. Este foi o primeiro longa dele como diretor (ele é mais conhecido por produzir Jogos Vorazes), e ele optou por uma estética funcional, sem movimentos de câmera mirabolantes, deixando o peso para os diálogos e para as expressões dos atores.
Ficha Técnica de um olhar rápido:
Data de lançamento: 5 de abril de 2019 (EUA).
Diretor: Robin Bissell.
Elenco principal: Taraji P. Henson, Sam Rockwell, Babou Ceesay e Anne Heche.
Nota IMDb: 7.3/10.
Premiações: O filme foi indicado a prêmios como o National Board of Review (Top 10 Filmes Independentes) e o NAACP Image Awards.
Bastidores: locações, trilha e curiosidades
A ambientação de 1970 é bem fiel, e isso se deve muito às escolhas de filmagem. Apesar de a história real ter acontecido na Carolina do Norte, as locações de filmagem foram majoritariamente no estado da Geórgia, nas cidades de Atlanta e Macon, que ainda preservam bairros com aquela arquitetura clássica do sul dos Estados Unidos.
A trilha sonora ficou por conta de Marcelo Zarvos, um compositor brasileiro radicado nos EUA. Ele seguiu uma linha mais sóbria, usando instrumentos de corda e piano para pontuar a tensão crescente das reuniões, sem tentar ditar o que o espectador deve sentir através de músicas épicas ou exageradas.
Algumas curiosidades rápidas:
O filme é baseado no livro The Best of Enemies: Race and Redemption in the New South, de Osha Gray Davidson.
A amizade entre a Ann e o C.P. Ellis na vida real durou décadas, até a morte dele em 2005. Eles realmente se tornaram amigos próximos.
Sam Rockwell hesitou em aceitar o papel no início, pois já tinha interpretado personagens racistas antes e não queria ficar estigmatizado, mas mudou de ideia pela complexidade da redenção do personagem.
Vale a pena assistir hoje?
Se você busca uma análise técnica sobre relações humanas e contexto histórico, vale muito. Não é um filme de ação, é um filme de conversa e de micro-expressões. Ele não tenta esconder as partes feias da história e foca em como a necessidade de sobrevivência de uma comunidade pode quebrar barreiras que pareciam intransponíveis.
É um relato direto, masculino na sua crueza e sem o sentimentalismo barato que costuma acompanhar produções desse gênero. Se você gosta de ver bons atores em um "duelo" de interpretação, vai gostar desse aqui.
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