Se você é fã de cinema, em algum momento vai esbarrar em 8½ (ou Otto e Mezzo). Eu assisti a esse filme e, olha, entendi por que ele é tratado como uma "entidade" sagrada entre diretores e cinéfilos. Não é apenas um filme sobre um homem em crise; é um mergulho visceral na confusão mental de quem vive de criar.
Neste texto, vou te contar o que faz desse clássico de Federico Fellini uma obra obrigatória, sem frescura e indo direto ao ponto.
O que é 8½ e por que o título é tão estranho?
O título original é simplesmente 8½. A explicação é puramente técnica e até um pouco fria: Fellini já havia dirigido seis longas-metragens, dois curtas e uma colaboração (que ele contou como meio filme cada). Somando tudo, este era o seu oitavo filme e meio.
Lançado oficialmente em 14 de fevereiro de 1963, o filme apresenta Guido Anselmi (interpretado pelo gigante Marcello Mastroianni), um cineasta que está sob pressão para começar seu próximo projeto, mas simplesmente não tem ideia do que fazer. Ele está travado, cercado por produtores, atores e amantes, todos querendo um pedaço do seu tempo.
Ficha Técnica Básica:
Diretor: Federico Fellini.
Elenco Principal: Marcello Mastroianni, Claudia Cardinale, Anouk Aimée e Sandra Milo.
Nota IMDb: Geralmente oscila em torno de 8.0/10.
Gênero: Drama / Metalinguagem.
A produção e o estilo visual de Fellini
Diferente de outros filmes da época, 8½ não segue uma linha reta. Ele mistura realidade, memória e fantasia de um jeito que, se você bobear, se perde. Mas é aí que está a graça. O filme foi rodado principalmente nos Estúdios Cinecittà, em Roma, e em locações como Filacciano e as termas de Chianciano Terme, na Toscana.
A fotografia em preto e branco é nítida, contrastada e ajuda a criar aquele clima de sonho (ou pesadelo) constante. A trilha sonora, assinada por Nino Rota, é outro espetáculo à parte. Ela dita o ritmo das cenas como se fosse um circo melancólico, algo que se tornou a marca registrada de Fellini. Se você ouvir o tema principal, vai reconhecer na hora, mesmo que nunca tenha visto o filme.
Premiações e o impacto no cinema mundial
Não foi só a crítica que gostou; a indústria também se curvou. O filme passou o rodo nas premiações da época. No Oscar de 1964, levou as estatuetas de:
Melhor Filme Estrangeiro.
Melhor Figurino (Preto e Branco).
Além disso, recebeu indicações para Melhor Diretor e Melhor Roteiro Original. É um dos poucos filmes que quase todo diretor de Hollywood cita como influência direta. De Woody Allen a Martin Scorsese, todo mundo bebeu dessa fonte para falar sobre bloqueio criativo e a angústia de ser artista.
Curiosidades que você precisa saber
Para quem gosta de bastidores, 8½ é um prato cheio. Aqui estão alguns fatos que mostram como a produção foi única:
O bilhete no visor: Fellini colou um bilhete no visor da câmera que dizia: "Lembre-se que este é um filme cômico". Era a forma dele não deixar o peso do drama engolir a leveza da obra.
Sem roteiro definido: Dizem que Mastroianni aceitou o papel sem nem ler o roteiro completo, confiando cegamente na visão do diretor.
O final mudou: O final original seria em um vagão de trem, mas Fellini decidiu filmar aquela cena icônica do desfile em círculo, que acabou virando o encerramento oficial.
Título provisório: Durante muito tempo, o projeto foi chamado apenas de La Bella Confusione (A Bela Confusão).
Se você busca uma experiência que foge do óbvio e quer entender como o cinema pode ser usado para explorar a mente humana sem precisar de efeitos especiais mirabolantes, 8½ é o seu ponto de partida. É um filme sobre a vida, sobre as falhas e sobre como a arte nasce do caos.
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