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28 janeiro 2026

Um Príncipe Em Nova York

 

Se você cresceu assistindo à Sessão da Tarde ou simplesmente gosta de uma boa comédia, é impossível não ter esbarrado em Um Príncipe em Nova York. Eu decidi rever esse filme recentemente e, olha, ele envelheceu como um bom vinho. O título original é Coming to America, e ele chegou aos cinemas lá em 29 de junho de 1988.

Mesmo décadas depois, a fórmula funciona. Não é só uma história sobre um herdeiro rico querendo casar; é um estudo sobre carisma e timing cômico. Vou te contar um pouco sobre o que faz esse filme ser um pilar do gênero sem estragar nenhuma surpresa, caso você seja um dos poucos que ainda não assistiu.

A história por trás do título original "Coming to America"

A premissa é direta, sem frescuras. O príncipe Akeem, interpretado pelo Eddie Murphy no auge da forma, vive no reino fictício de Zamunda. Ele tem tudo o que o dinheiro pode comprar, mas não quer um casamento arranjado. O cara quer ser amado por quem ele é, não pelo que tem no banco.

A solução? Ir para o lugar mais caótico e honesto que ele consegue pensar: o Queens, em Nova York. O roteiro é inteligente porque usa o choque cultural para gerar humor, mas sem apelar para o ridículo extremo. É aquela jornada clássica do "peixe fora d'água" que a gente gosta de acompanhar.

O time de peso na frente e atrás das câmeras

O que sustenta o filme, além do roteiro, é a direção de John Landis. O cara já tinha no currículo sucessos como Trocando as Bolas, então ele sabia exatamente como extrair o melhor do Eddie Murphy.

No elenco, temos nomes que hoje são lendas:

  • Eddie Murphy (Príncipe Akeem e vários outros personagens);

  • Arsenio Hall (Semmi, o fiel escudeiro, e também múltiplos personagens);

  • James Earl Jones (o imponente Rei Jaffe Joffer);

  • Shari Headley (Lisa McDowell, o interesse romântico).

A química entre Murphy e Arsenio Hall é o que carrega o filme. Eles jogam um para o outro o tempo todo, e isso dá uma fluidez animal para as cenas.

Onde a mágica foi filmada e o som que embalou a época

Muita gente acha que o filme foi todo feito em estúdio, mas as locações de filmagem foram bem reais. Eles rodaram bastante no Queens e no Brooklyn, em Nova York, além de algumas cenas em Los Angeles e na Califórnia para os interiores do palácio. Aquele clima cinzento e urbano de NY nos anos 80 contrasta perfeitamente com o brilho dourado de Zamunda.

A trilha sonora também não fica atrás. Sob o comando de Nile Rodgers, a música tema "Coming to America", do grupo The System, virou um hino. É aquele tipo de som que, assim que começa, você já entra no clima da época.

Reconhecimento, IMDb e premiações

Se você olhar o IMDb, o filme mantém uma nota sólida de 7.1/10. Para uma comédia escrachada dos anos 80, isso é um feito e tanto. O reconhecimento não veio só do público, mas também da crítica técnica. Um Príncipe em Nova York recebeu duas indicações ao Oscar:

  1. Melhor Figurino;

  2. Melhor Maquiagem.

A parte da maquiagem é um ponto que merece destaque. O trabalho feito por Rick Baker foi tão absurdo que você muitas vezes esquece que é o mesmo ator fazendo quatro ou cinco pessoas diferentes na mesma cena.

Curiosidades que você (provavelmente) não sabia

Para fechar o papo, separei uns detalhes que mostram como essa produção foi rica:

  • Camaleões: Eddie Murphy e Arsenio Hall interpretam quatro personagens cada. Murphy faz o príncipe, um cantor de soul horrível, um judeu idoso e um barbeiro.

  • McDowell’s: O restaurante onde Akeem trabalha é uma sátira óbvia ao McDonald’s. Na época, a produção teve que garantir que não haveria problemas jurídicos com a rede real.

  • Samuel L. Jackson: Ele faz uma ponta bem rápida como um assaltante no restaurante. É engraçado ver uma lenda dessas antes da fama mundial.

  • Conexão de universos: Existe um easter egg sensacional onde os personagens de Don Ameche e Ralph Bellamy (de Trocando as Bolas) aparecem como mendigos que recebem uma doação de Akeem.

Um Príncipe em Nova York é aquele tipo de filme "conforto". Ele não tenta reinventar a roda, mas faz o básico com uma maestria que poucas comédias conseguem hoje em dia. É direto, engraçado e tem coração.



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