Eu sempre tive um pé atrás com filmes de época que parecem "melodramáticos" demais. Mas, quando parei para assistir O Discurso do Rei (título original: The King's Speech), percebi que a pegada aqui é outra. Não é apenas uma história sobre a realeza; é sobre um cara que tem um problema técnico — a gagueira — e precisa resolver isso para dar conta de um dos cargos mais pesados do mundo.
Se você está procurando um filme que equilibra história real com uma atuação de primeira, sem aquela "melação" desnecessária, esse aqui é o título certo. Vou te contar por que ele ainda é relevante e o que faz dele um vencedor.
Ficha técnica e o que esperar de The King's Speech
Lançado oficialmente no final de 2010 (chegando com força no Brasil no início de 2011), o filme foi dirigido por Tom Hooper. Eu gosto do estilo de direção dele aqui porque a câmera é próxima, meio desconfortável às vezes, o que ajuda a gente a sentir a pressão que o protagonista sofre.
No IMDb, o filme ostenta uma nota 8.0, o que é um patamar bem alto para produções desse gênero. O que segura essa nota, na minha opinião, é a química entre o elenco principal. Temos o Colin Firth no papel de George VI, Geoffrey Rush como o terapeuta nada convencional Lionel Logue, e a Helena Bonham Carter como a Rainha Elizabeth. É um trio que entrega diálogos diretos, sem muita firula, mas com muita precisão.
O elenco de peso e a direção de Tom Hooper
O que eu acho interessante na narrativa de O Discurso do Rei é como ele foca na superação de um obstáculo físico e psicológico. O roteiro não tenta transformar o Rei em um super-herói; ele é um homem comum, nervoso, que precisa falar em público em um momento onde o rádio estava começando a dominar a comunicação mundial.
A atuação do Colin Firth é o que eu chamo de "aula de contenção". Ele não precisa gritar para mostrar a frustração dele. Já o Geoffrey Rush traz um contraponto excelente, sendo aquele cara prático, que não se impressiona com títulos de nobreza e foca no que precisa ser feito.
Prêmios, trilha sonora e o reconhecimento da crítica
Se você liga para premiações, saiba que esse filme limpou o chão no Oscar de 2011. Ele levou quatro das estatuetas mais importantes:
Melhor Filme
Melhor Diretor (Tom Hooper)
Melhor Ator (Colin Firth)
Melhor Roteiro Original
A trilha sonora é outro ponto que merece destaque. Composta por Alexandre Desplat, ela é sóbria e elegante. O uso da 7ª Sinfonia de Beethoven em um dos momentos cruciais do filme é uma escolha cirúrgica — dá o peso necessário sem precisar de diálogos explicativos. É aquele tipo de música que você ouve e sente que algo grande está acontecendo.
Curiosidades e os bastidores das filmagens
Eu gosto de saber onde as coisas foram feitas e como o filme saiu do papel. Para quem curte detalhes de produção, aqui vão alguns pontos interessantes:
Locações de filmagem: O filme foi rodado em vários pontos da Inglaterra. A Catedral de Ely foi usada para substituir a Abadia de Westminster, e o Estádio de Elland Road, em Leeds, serviu de cenário para o primeiro discurso do filme.
O diário real: O roteirista David Seidler descobriu a existência do diário real de Lionel Logue apenas nove semanas antes de começar a filmar. Isso trouxe falas e detalhes que não estavam no roteiro original, deixando tudo mais autêntico.
Gagueira real: O roteirista também era gago na infância e usou sua própria experiência para escrever as dificuldades do personagem.
No fim das contas, O Discurso do Rei é um filme sobre competência e a busca por uma voz própria. Não espere reviravoltas mirabolantes, espere um desenvolvimento sólido de personagem e uma lição de que até quem está no topo tem seus demônios para enfrentar.
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