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08 janeiro 2026

Palíndromos

 

Palindromes: O Filme do Solondz que Não Te Deixa Fechar a Conta

Eu sempre tive uma relação de "amor e estranhamento" com os filmes do Todd Solondz, e com Palindromes (título original), não foi diferente. O cara tem uma assinatura única, aquele humor ácido que esconde um drama bem pesado, e este longa de 2004 é a prova de que ele não tem medo de cutucar feridas.

O filme, que saiu em circuito limitado nos EUA em 13 de abril de 2005, e teve seu première no Festival de Veneza em setembro de 2004, me pegou pela premissa. Não é uma história de aventura épica, é uma jornada bem mais interna e, francamente, desconfortável, da protagonista Aviva Victor, uma adolescente de 13 anos.


Por Trás das Câmeras: O Time e a Música

O responsável por essa obra é, claro, Todd Solondz, que dirigiu e escreveu o roteiro. O cara tem o talento de pegar a vida suburbana americana e virar ela do avesso, expondo o que tem de mais hipócrita e ingênuo nela.

No elenco, a coisa fica interessante. Embora a personagem principal, Aviva, seja interpretada por oito atores/atrizes diferentes — incluindo um garoto e nomes como Jennifer Jason Leigh —, a gente tem a base com gente de peso como Ellen Barkin e Richard Masur nos papéis dos pais dela. É um elenco que sabe entregar a dose certa de tensão familiar e estranheza.

A trilha sonora, assinada por Nathan Larson, é um show à parte e ajuda a dar o tom agridoce do filme. Ela mistura temas originais, como a "Lullaby (Aviva's and Henrietta's Theme)" cantada por Nina Persson e Larson, com composições clássicas, como o Piano Concerto No. 1 de Tchaikovsky. A música não tenta suavizar, mas sim complementar o clima de sátira moral que o filme propõe.

A Viagem de Aviva e os Bastidores

A história acompanha Aviva, que tem o desejo incomum e obsessivo de ser mãe. Quando as coisas não saem como ela planeja em casa, ela foge e embarca em uma espécie de odisseia, encontrando personagens bizarros pelo caminho — desde um grupo religioso anti-aborto até um pedófilo. Não espere um final feliz de cinema pipoca. É Solondz.

O filme foi rodado nos Estados Unidos, e as locações ajudam a construir essa imagem da paisagem moral americana, misturando o suburbano com o marginal. Em termos de premiações, o filme foi Nomeado ao Leão de Ouro no Festival de Veneza em 2004 e também recebeu uma nomeação ao Independent Spirit Awards na categoria Producers Award em 2006, o que confirma o impacto dele no cinema independente.

A nota dele no IMDb fica na média de 6.9/10, o que eu acho justo, já que é um filme que polariza e não tenta ser unanimidade.

Curiosidade de Gênio (Ou Louco)

A grande sacada (e a maior curiosidade do filme) é como Solondz usa oito atores diferentes para interpretar a Aviva, variando idade, etnia e até gênero. Ele disse que fez isso para mostrar que a identidade é fluida e que, na jornada dela, Aviva é, ao mesmo tempo, muitas pessoas. Essa decisão não é só estética; ela reforça a ideia de "palíndromo", onde a personagem volta para o ponto de partida, mas a forma como ela é percebida (e como ela se transforma) muda.

Outro detalhe é que o nome da protagonista, Aviva, é, em si, um palíndromo (lê-se igual de trás para frente), assim como outros nomes de personagens, como Otto e Bob. Gosto de como o Solondz usa essa metáfora do palíndromo para falar de ciclos e de como voltamos sempre ao mesmo lugar, mas nunca da mesma forma.

Se você está a fim de um drama que te faça pensar, que te irrite um pouco, mas que é inegavelmente original, Palindromes é uma pedida forte. Não é para se sentir bem, é para refletir.



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