Eu sempre fui meio cético com filmes que ganham muito barulho por causa de nomes pop no elenco, mas As Golpistas (título original: Hustlers) me pegou de surpresa. Não é só um filme sobre dançarinas de strip-tease; é um filme sobre a crise de 2008, sobrevivência e como o jogo de Wall Street é sujo de todos os lados.
Assisti sem esperar muita profundidade e acabei encontrando uma narrativa de crime muito bem amarrada. Se você gosta de histórias sobre golpes elaborados e dinâmicas de poder, esse aqui merece sua atenção.
A história real por trás de Hustlers
A trama é baseada em um artigo de Jessica Pressler para a New York Magazine. Lançado em 13 de setembro de 2019, o filme mostra a rotina de Destiny (Constance Wu) e Ramona (Jennifer Lopez). Quando a crise financeira estoura e os lobos de Wall Street param de gastar fortunas nas casas noturnas, as garotas decidem virar o jogo.
O roteiro e a direção ficaram nas mãos de Lorene Scafaria, que conseguiu dar um tom sóbrio e direto para a história. Ela não tenta romantizar o que elas fazem, mas também não as coloca como vilãs unidimensionais. É uma visão pragmática: o mundo está desabando, e elas precisam de um plano para não caírem juntas.
Um elenco que entrega o que promete
Eu confesso que o elenco me deixou curioso. Além da Jennifer Lopez e da Constance Wu, temos nomes como Julia Stiles, Keke Palmer, Lili Reinhart e participações da Lizzo e da Cardi B.
O que impressiona aqui é a atuação da JLo. Ela interpreta Ramona, a mentora do grupo, com uma presença que domina a tela. Não é à toa que ela foi indicada ao Globo de Ouro e ao SAG Awards como Melhor Atriz Coadjuvante por esse papel. O filme também circulou bem em festivais importantes, como o de Toronto (TIFF), o que já mostra que a produção tinha ambições maiores do que ser apenas um passatempo de fim de semana.
Produção, trilha sonora e o clima de Nova York
Se tem uma coisa que ajuda a ditar o ritmo de As Golpistas, é a trilha sonora. O filme usa muito bem hits dos anos 90 e 2000, com faixas de Janet Jackson, Fiona Apple e Britney Spears. A música não está lá só para preencher o silêncio; ela marca a transição da bonança para a escassez quando o mercado financeiro quebra.
As locações de filmagem ajudam a vender essa realidade. Tudo foi rodado em Nova York, passando por clubes no Queens, Manhattan e as áreas residenciais de luxo. Você sente a frieza da cidade e o contraste entre o brilho das luzes da noite e a realidade crua do dia seguinte. No IMDb, o filme segura uma nota 6.3, o que eu considero honesto, embora a crítica especializada tenha sido bem mais generosa na época do lançamento.
O veredito: Por que dar o play?
O filme foge dos clichês de "filme de vingança" barato. Ele foca na amizade entre as mulheres e na logística dos golpes, que é a parte que eu mais curto em filmes de crime. É interessante ver como elas estudavam os alvos e executavam o plano sem deixar rastros — pelo menos por um tempo.
Para fechar, separei algumas curiosidades rápidas sobre a produção:
A Jennifer Lopez treinou pesado e fez quase todas as suas cenas de pole dance sem dublê.
A verdadeira Ramona (Samantha Barbash) tentou processar a produção, alegando que sua imagem foi usada sem permissão, mas o processo não foi para frente.
O filme foi banido em alguns países por causa do conteúdo considerado "obsceno", o que só prova que ele tocou em feridas reais da sociedade.
Se você quer um filme de crime com uma pegada diferente, direto ao ponto e com uma estética bem cuidada, As Golpistas é uma escolha sólida.
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