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01 fevereiro 2026

Um Santo Vizinho

 

Olha, se você está procurando um filme que não tenta te ganhar com clichês melosos ou lições de moral baratas, St. Vincent (ou Um Santo Vizinho, aqui no Brasil) é a pedida certa. Eu assisti sem esperar muito e acabei encontrando uma história que entrega exatamente o que promete: a vida real, com toda a sua crueza e alguns momentos de humor bem ácido.

O filme foi lançado em 2014 e, desde o primeiro minuto, você percebe que o tom é diferente. Não é aquela comédia para dar gargalhada o tempo todo, mas sim um retrato de um cara que a maioria das pessoas evitaria na rua.

Por que St. Vincent vale o seu tempo

A história gira em torno de Vincent, um veterano de guerra que vive em uma casa caindo aos pedaços no Brooklyn. Ele bebe demais, aposta em cavalos e não tem a menor paciência para interações sociais. Tudo muda quando uma nova vizinha, Maggie, se muda para a casa ao lado com o filho, Oliver. Como ela trabalha muito, Vincent acaba virando a babá mais improvável do mundo para o garoto.

O que eu acho interessante aqui é que o roteiro não tenta transformar o Vincent em um herói da noite para o dia. Ele continua sendo um cara difícil, mas a relação que ele desenvolve com o moleque é autêntica. Ele ensina o menino a se defender e o leva para o hipódromo. É politicamente incorreto na medida certa.

Quem está por trás das câmeras e no elenco

O diretor é o Theodore Melfi, que faz um trabalho limpo, sem firulas. Mas o que segura o filme mesmo é o elenco de peso:

  • Bill Murray: Ele nasceu para fazer esse papel. O cinismo dele aqui é perfeito.

  • Melissa McCarthy: Surpreendente no papel da mãe cansada. Ela sai um pouco daquela comédia exagerada e entrega uma atuação bem sólida.

  • Naomi Watts: Ela faz uma profissional do sexo russa e grávida. É uma personagem bem fora da curva para ela.

  • Jaeden Martell: O garoto manda muito bem e consegue bater de frente com o Bill Murray sem ser ofuscado.

No IMDb, o filme mantém uma nota respeitável de 7.2, o que faz total sentido. É um filme que agrada tanto quem gosta de cinema independente quanto quem só quer uma boa história para passar o tempo.

Trilha sonora e o visual do Brooklyn

A ambientação é um ponto forte. O filme foi rodado em Sheepshead Bay, no Brooklyn, e você sente o clima do bairro em cada cena. Não é a Nova York dos cartões-postais, é a parte que parece mais "vivida".

Sobre a trilha sonora, ela é essencial para o clima do filme. Tem músicas de artistas como Bob Dylan (o encerramento com "Shelter from the Storm" é icônico), The National e Tweedy. O som acompanha bem o ritmo meio ranzinza, mas charmoso, da narrativa.

Curiosidades e o reconhecimento da crítica

Uma das coisas mais legais sobre os bastidores é que o diretor Theodore Melfi teve um trabalhão para conseguir o Bill Murray. O ator não tem agente nem empresário, ele tem um número 1-800 onde as pessoas deixam mensagens. Melfi deixou várias até que, um dia, Murray ligou de volta e eles fecharam o projeto.

Em termos de premiações, o filme não passou em branco. Foi indicado ao Globo de Ouro nas categorias de Melhor Filme (Comédia ou Musical) e Melhor Ator para Bill Murray. Ele não levou os troféus, mas o reconhecimento serviu para mostrar que era mais do que apenas um "filme de sessão da tarde".

No fim das contas, St. Vincent é sobre enxergar valor onde ninguém mais vê. Se você gosta de uma narrativa direta, com personagens imperfeitos e uma pegada mais pé no chão, vale muito a pena conferir.



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