Olha, se você está procurando um filme que não tenta te ganhar com clichês melosos ou lições de moral baratas, St. Vincent (ou Um Santo Vizinho, aqui no Brasil) é a pedida certa. Eu assisti sem esperar muito e acabei encontrando uma história que entrega exatamente o que promete: a vida real, com toda a sua crueza e alguns momentos de humor bem ácido.
O filme foi lançado em 2014 e, desde o primeiro minuto, você percebe que o tom é diferente. Não é aquela comédia para dar gargalhada o tempo todo, mas sim um retrato de um cara que a maioria das pessoas evitaria na rua.
Por que St. Vincent vale o seu tempo
A história gira em torno de Vincent, um veterano de guerra que vive em uma casa caindo aos pedaços no Brooklyn. Ele bebe demais, aposta em cavalos e não tem a menor paciência para interações sociais. Tudo muda quando uma nova vizinha, Maggie, se muda para a casa ao lado com o filho, Oliver. Como ela trabalha muito, Vincent acaba virando a babá mais improvável do mundo para o garoto.
O que eu acho interessante aqui é que o roteiro não tenta transformar o Vincent em um herói da noite para o dia. Ele continua sendo um cara difícil, mas a relação que ele desenvolve com o moleque é autêntica. Ele ensina o menino a se defender e o leva para o hipódromo. É politicamente incorreto na medida certa.
Quem está por trás das câmeras e no elenco
O diretor é o Theodore Melfi, que faz um trabalho limpo, sem firulas. Mas o que segura o filme mesmo é o elenco de peso:
Bill Murray: Ele nasceu para fazer esse papel. O cinismo dele aqui é perfeito.
Melissa McCarthy: Surpreendente no papel da mãe cansada. Ela sai um pouco daquela comédia exagerada e entrega uma atuação bem sólida.
Naomi Watts: Ela faz uma profissional do sexo russa e grávida. É uma personagem bem fora da curva para ela.
Jaeden Martell: O garoto manda muito bem e consegue bater de frente com o Bill Murray sem ser ofuscado.
No IMDb, o filme mantém uma nota respeitável de 7.2, o que faz total sentido. É um filme que agrada tanto quem gosta de cinema independente quanto quem só quer uma boa história para passar o tempo.
Trilha sonora e o visual do Brooklyn
A ambientação é um ponto forte. O filme foi rodado em Sheepshead Bay, no Brooklyn, e você sente o clima do bairro em cada cena. Não é a Nova York dos cartões-postais, é a parte que parece mais "vivida".
Sobre a trilha sonora, ela é essencial para o clima do filme. Tem músicas de artistas como Bob Dylan (o encerramento com "Shelter from the Storm" é icônico), The National e Tweedy. O som acompanha bem o ritmo meio ranzinza, mas charmoso, da narrativa.
Curiosidades e o reconhecimento da crítica
Uma das coisas mais legais sobre os bastidores é que o diretor Theodore Melfi teve um trabalhão para conseguir o Bill Murray. O ator não tem agente nem empresário, ele tem um número 1-800 onde as pessoas deixam mensagens. Melfi deixou várias até que, um dia, Murray ligou de volta e eles fecharam o projeto.
Em termos de premiações, o filme não passou em branco. Foi indicado ao Globo de Ouro nas categorias de Melhor Filme (Comédia ou Musical) e Melhor Ator para Bill Murray. Ele não levou os troféus, mas o reconhecimento serviu para mostrar que era mais do que apenas um "filme de sessão da tarde".
No fim das contas, St. Vincent é sobre enxergar valor onde ninguém mais vê. Se você gosta de uma narrativa direta, com personagens imperfeitos e uma pegada mais pé no chão, vale muito a pena conferir.
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