Cara, se você curte cinema que não tenta te manipular com drama barato, precisa conhecer Não se Preocupe, Ele Não Irá Longe a Pé. Assisti ao filme recentemente e a pegada é bem direta: é a história real do cartunista John Callahan, mas sem aquele filtro "vencendo na vida" que Hollywood adora empurrar.
Vou te contar por que esse filme vale o seu tempo e o que faz dele uma obra que foge do óbvio.
O que você precisa saber sobre a produção
O título original é Don't Worry, He Won't Get Far on Foot e ele chegou aos cinemas em 2018. O comando ficou nas mãos do Gus Van Sant, um diretor que sabe filmar a melancolia e o cotidiano como poucos (ele é o cara por trás de Gênio Indomável e Elephant).
No elenco, o nível é alto:
Joaquin Phoenix (John Callahan)
Jonah Hill (Donnie)
Rooney Mara (Annu)
Jack Black (Dexter)
No IMDb, o filme segura uma nota 6.8/10. Pode parecer "justa", mas para um drama biográfico tão específico, é um sinal de que ele entrega o que promete sem firulas.
Uma trama sobre vício e rodas
A história gira em torno de Callahan, um cara que adorava uma garrafa e acaba ficando tetraplégico após um acidente de carro bizarro. Mas o filme não é sobre a deficiência em si; é sobre o que ele faz depois disso. Ele descobre um talento ácido para desenhar cartuns politicamente incorretos e encontra um grupo de apoio liderado por um Donnie (Jonah Hill) quase irreconhecível.
O legal aqui é que a narrativa é fluida. O Gus Van Sant não usa uma linha do tempo certinha. Ele vai e volta, mostrando o caos da reabilitação e a busca pelo perdão, tudo regado a um humor ácido que o próprio Callahan tinha na vida real.
Trilha sonora, locações e bastidores
A ambientação é fundamental para o clima do filme. Ele foi rodado quase todo em Portland, Oregon — que por sinal era a cidade onde o Callahan vivia. Isso dá um ar de autenticidade, sabe? Não parece um cenário montado.
A trilha sonora é assinada pelo Danny Elfman. Esqueça as trilhas épicas de super-heróis que ele costuma fazer; aqui o som é contido, meio jazzístico e acompanha bem as idas e vindas mentais do protagonista.
Em termos de premiações, o filme não foi um "papa-Oscar", mas brilhou em festivais importantes como Sundance e no Festival Internacional de Cinema de Berlim, onde foi indicado ao Urso de Ouro.
Curiosidades que mudam a perspectiva
Sempre tem aqueles detalhes que fazem a gente olhar o filme com outros olhos. Se liga:
Projeto antigo: O Robin Williams queria interpretar o John Callahan ainda nos anos 90. Ele chegou a comprar os direitos do livro, mas o projeto não saiu do papel antes de ele falecer.
Cartuns reais: Muitos dos desenhos que você vê no filme são reproduções ou os próprios originais do Callahan.
Preparação pesada: O Joaquin Phoenix passou um tempo em centros de reabilitação para entender como era a mecânica de vida de um tetraplégico, desde como se mexer até como operar a cadeira de rodas elétrica (que ele pilota de um jeito bem agressivo no filme).
Se você está atrás de uma história de "superação" que não te trate como criança e que tenha diálogos honestos sobre como é ser humano e falho, esse filme é o caminho.
Nenhum comentário:
Postar um comentário