Se você curte um cinema visceral, sem firulas e que te deixa desconfortável daquele jeito que só um bom noir moderno consegue, a gente precisa falar sobre Killer Joe: Matador de Aluguel. Assisti ao filme recentemente e, olha, não é para qualquer um. É um mergulho no Texas mais profundo, sujo e moralmente questionável.
Prepare o café (ou algo mais forte) e confira os detalhes técnicos e as impressões que esse longa deixou.
O que é Killer Joe e por que ele impressiona
O título original é apenas Killer Joe. Lançado em 2011, o filme é dirigido por William Friedkin, o mesmo cara que fez O Exorcista. Só por aí você já sente que o peso é outro. A trama gira em torno de uma família de "white trash" americana que decide contratar um assassino para matar a própria mãe e ficar com o dinheiro do seguro.
O protagonista é vivido por Matthew McConaughey, que entrega uma das melhores atuações da carreira. Ele é Joe Cooper, um detetive de polícia que faz um "freela" como matador de aluguel. O cara é imponente, assustador e tem uma calma que chega a dar agonia. No elenco, ainda temos Emile Hirsch, Juno Temple, Thomas Haden Church e a excelente Gina Gershon.
Ficha técnica e reconhecimento
Para quem gosta de números e validação, o filme não passou batido pela crítica. No IMDb, ele sustenta uma nota sólida de 6.7/10, o que eu considero até baixo pela coragem da obra, mas reflete o quanto ele divide opiniões.
Diretor: William Friedkin.
Premiações: Ganhou o prêmio Mouse d'Oro no Festival de Veneza e Juno Temple levou o Empire Award de Melhor Revelação Feminina.
Locações: Foi filmado quase inteiramente na Louisiana (New Orleans), embora a história se passe no Texas. Aquele clima úmido e claustrofóbico das locações ajuda muito na narrativa.
Trilha sonora e a atmosfera de tensão
A música aqui não tenta ser épica. Ela é minimalista, rústica e pontual. A trilha sonora conta com nomes como Tyler Bates e traz aquele feeling de sul dos Estados Unidos, com um toque de blues e sons mais crus que combinam perfeitamente com as caravanas e os bares de beira de estrada que aparecem na tela. Ela serve para aumentar a pressão, não para aliviar.
Curiosidades que cercam a produção
O filme é baseado em uma peça de teatro de Tracy Letts, e isso explica por que a maior parte da ação acontece em cenários fechados. Mas não se engane: a direção do Friedkin é tão dinâmica que você esquece que está "preso" dentro de um trailer.
Uma curiosidade interessante é sobre a classificação indicativa. Nos EUA, ele recebeu o temido NC-17 (proibido para menores de 17 anos) por causa da violência e de algumas cenas bem gráficas. Friedkin se recusou a cortar o filme para conseguir uma classificação mais leve, mantendo a integridade da história original.
E tem a famosa cena do "frango frito". Não vou dar spoiler, mas depois que você assistir, nunca mais vai olhar para uma coxa de frango da mesma maneira.
Vale a pena assistir?
Se você busca um filme de herói ou uma história com final feliz e lição de moral, passe longe. Killer Joe é seco, direto e não tem medo de ser grotesco. É um estudo sobre o desespero humano e até onde alguém vai por dinheiro. É cinema de verdade, feito por quem entende de choque e narrativa.
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