
Mergulho em "Assassinos por Natureza"
Fui fisgado por esse filme no momento em que ele chegou. Falo de "Assassinos por Natureza" (Natural Born Killers), um clássico que, para mim, transcende o cinema. Não é só um filme; é um soco no estômago, uma experiência visual e sonora que desmascara a obsessão americana pela violência e celebridade. Se você curte cinema que te faz pensar e, ao mesmo tempo, te arremessa em uma montanha-russa, esse é o seu número.
Por Trás das Câmeras: O Choque de 1994
Quando o filme foi lançado, em 26 de agosto de 1994 (EUA), o burburinho foi instantâneo. E não era para menos. No comando da loucura visual e narrativa, estava Oliver Stone, um diretor que já tinha provado que não tem medo de cutucar feridas (pense em Platoon e JFK). Mas o que realmente eleva a obra é o elenco.
Ver o Woody Harrelson no papel de Mickey Knox e a Juliette Lewis como Mallory Knox é assistir a uma performance que beira o insano, no bom sentido. Eles são o casal de anti-heróis definitivo. Além deles, nomes como Robert Downey Jr. (como o jornalista Wayne Gale) e Tommy Lee Jones (como o diretor de prisão Dwight McClusky) dão o suporte necessário para essa narrativa explosiva.
A crítica se dividiu, mas o público e o tempo foram generosos. Atualmente, a obra sustenta uma nota IMDb de 7.3/10, o que, para um filme tão polarizador, é um atestado de relevância.
O Ritmo da Loucura: Trilha Sonora e Locações
Uma das coisas que mais me prendeu em Natural Born Killers foi a forma como ele parece mais um videoclipe de duas horas do que um filme tradicional. Grande parte disso se deve à trilha sonora.
O filme não segue um gênero musical, mas mistura de tudo: rock industrial, country, grunge e música original. O som é uma colagem, assim como as cenas, e foi essencialmente criada por Trent Reznor (do Nine Inch Nails). A trilha funciona como um terceiro personagem, pulsando a cada cena de caos. É um score que você ouve e sabe exatamente a que filme pertence.
Eles rodaram em lugares que amplificam a sensação de estrada e isolamento. As principais locações de filmagem foram em Novo México e Arizona, nos Estados Unidos. A vastidão do deserto e a poeira da estrada são o cenário perfeito para a fuga insana de Mickey e Mallory.
Curiosidades: A Gênese e as Polêmicas
O título original, como mencionei, é Natural Born Killers. E vale lembrar que a ideia original para o roteiro veio de ninguém menos que Quentin Tarantino. Sim, o mesmo de Pulp Fiction. Tarantino vendeu o script, mas Oliver Stone o reescreveu completamente, transformando-o naquela montagem frenética que conhecemos. Por causa das extensas modificações de Stone, Tarantino se distanciou da versão final.
Outra coisa que pouca gente sabe, e que é fascinante, é a técnica de filmagem. Stone usou mais de dez formatos de película e vídeo diferentes na mesma cena: 8mm, 16mm, 35mm, preto e branco, cores vibrantes, animação... Isso não é só estilo; é uma forma de imitar a saturação de informações e imagens da TV, criticando como a mídia banaliza a violência.
O filme é uma crítica afiada à sociedade que transforma criminosos em celebridades, e é nisso que reside sua força. Ele não romantiza a violência, ele critica a nossa fascinação por ela. E é isso que, mesmo depois de tantos anos, ainda me faz revê-lo e recomendá-lo. É um clássico brutal, mas impossível de ignorar.
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