Sabe aquele tipo de filme que divide opiniões, mas que você acaba assistindo só pelo peso do elenco? Foi o que me aconteceu com Anti-Heróis. O título original é The Son of No One, e confesso que a tradução brasileira, apesar de genérica, tenta pescar quem gosta de um bom suspense policial com pé no chão e clima pesado.
Vou te contar o que achei desse longa, sem entregar o jogo ou soltar spoilers, pra você decidir se ele merece um espaço na sua lista do fim de semana.
O que esperar de Anti-Heróis (The Son of No One)
A trama de Anti-Heróis foca na vida de Jonathan White, um policial jovem que acaba de ser designado para trabalhar no bairro onde cresceu, no Queens, em Nova York. O problema é que o passado dele não é exatamente limpo, e um segredo de infância começa a ameaçar a vida que ele construiu.
A narrativa é direta. Não espere perseguições mirabolantes de carro ou explosões a cada dez minutos. O foco aqui é o psicológico e a tensão de ver um homem sendo encurralado pelos próprios erros. O filme estreou oficialmente no Festival de Sundance em janeiro de 2011 e chegou aos cinemas mais tarde naquele ano, trazendo uma pegada bem urbana e cinzenta.
Um elenco de peso sob o comando de Dito Montiel
O que mais chama a atenção logo de cara é quem está na tela. O diretor Dito Montiel conseguiu reunir um time que, no papel, parece imbatível. Temos Channing Tatum no papel principal, entregando uma atuação contida e séria. Mas o que brilha mesmo é ver os veteranos em ação.
Al Pacino: Interpreta o detetive Stanford, uma figura central no passado do protagonista.
Ray Liotta: Como capitão da polícia, trazendo aquela intensidade que só ele tinha.
Juliette Binoche: Uma escolha inusitada para um policial americano, mas que funciona como uma jornalista investigativa.
Katie Holmes: Faz a esposa do personagem de Tatum.
Tracy Morgan: Surpreende em um papel dramático, bem longe das comédias que costuma fazer.
É um filme de atores. Você sente que a direção de Montiel deu liberdade para eles explorarem aquele ambiente hostil de Nova York.
Bastidores, trilha e as ruas do Queens
Se tem algo que ajuda a vender a história de Anti-Heróis é a ambientação. As locações de filmagem foram quase todas no Queens, em Nova York, especificamente em áreas como Astoria e os conjuntos habitacionais de Queensbridge. Isso dá uma autenticidade brutal para a obra; você sente o asfalto sujo e o clima claustrofóbico dos apartamentos.
A trilha sonora, assinada por Jonathan Elias e David Wittman, é minimalista. Ela não tenta ditar o que você deve sentir, apenas mantém aquele zumbido de ansiedade no fundo da mente enquanto o mistério se desenrola.
Uma curiosidade interessante: este foi o segundo trabalho de Dito Montiel com Channing Tatum (o primeiro foi Santos e Demonistas), mostrando que o diretor confiava bastante no potencial dramático do ator antes mesmo de ele virar o astro de blockbusters que conhecemos hoje.
Vale o play? Nota IMDb e recepção
Sendo bem direto com você: a crítica não foi muito gentil com o filme na época. Atualmente, a nota no IMDb gira em torno de 5.1, o que afasta muita gente. No quesito premiações, ele passou batido pelos grandes circuitos, ficando mais restrito às exibições em festivais independentes.
Mas aqui vai minha opinião sincera: se você curte suspenses policiais que focam mais na culpa e no ambiente do que na ação desenfreada, vale a pena dar uma chance. Não é uma obra-prima que vai mudar sua vida, mas é um exercício interessante de atuação, especialmente para ver Al Pacino e Ray Liotta dividindo o mesmo universo.
No fim das contas, é um filme sobre como o passado nunca fica enterrado de verdade, especialmente quando você tenta voltar para o lugar onde tudo começou.
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