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23 março 2026

Peixe Grande e Suas Histórias Maravilhosas

 

Sabe aquele tipo de filme que, assim que sobem os créditos, você sente que precisa ligar para o seu pai ou contar uma história absurda para o primeiro amigo que encontrar? Pois é, Peixe Grande e Suas Histórias Maravilhosas (Big Fish) é exatamente essa experiência. Lançado em 2003, o longa é uma daquelas obras raras que misturam fantasia com o "pé no chão" de um jeito que só o Tim Burton conseguiria fazer sem parecer brega.

Eu me peguei revisitando esse clássico recentemente e a sensação é de que ele envelhece como um bom vinho. Ele não é apenas um filme visualmente impecável; é um manual sobre como o legado de um homem é construído pelas histórias que ele deixa, mesmo que elas tenham um toque — ou um oceano inteiro — de exagero.

Qual é a história por trás de Big Fish?

A trama gira em torno de Edward Bloom (interpretado pelo excelente Ewan McGregor na juventude e pelo saudoso Albert Finney na velhice). Edward é um contador de histórias nato. Para ele, uma pescaria nunca é só uma pescaria; envolve um peixe gigante que engoliu uma aliança de casamento.

O conflito central, que dá o peso emocional ao filme, é a relação dele com o filho, Will Bloom (Billy Crudup). Will é um jornalista pragmático que está cansado das "mentiras" do pai. Com Edward no leito de morte, Will tenta separar o fato da ficção para descobrir quem o pai realmente foi. É uma jornada de reconciliação que bate forte em qualquer um que já teve dificuldades em entender o coroa.

Quem faz parte desse elenco de peso e onde foi gravado?

O elenco é uma constelação. Além dos protagonistas, temos a Jessica Lange, o mestre Danny DeVito como o dono de um circo (personagem que ele domina como ninguém) e a Helena Bonham Carter em um papel duplo que é puro suco de Tim Burton.

As locações trazem aquela estética sulista americana mágica. O filme foi rodado quase inteiramente no Alabama. A cidade fictícia de Spectre, por exemplo, foi construída do zero em uma ilha no Rio Alabama. O legal é que o cenário ainda existe por lá e virou ponto turístico para os fãs.

Quais são as curiosidades que tornam o filme especial?

Muita gente não sabe, mas o projeto original de Peixe Grande estava nas mãos de Steven Spielberg. Ele chegou a considerar Jack Nicholson para o papel de Edward Bloom. No final das contas, o roteiro caiu no colo do Tim Burton logo após ele perder o pai, o que deu ao filme uma carga emocional muito mais profunda e pessoal.

Outro ponto interessante: o ator que interpreta o gigante Karl, Matthew McGrory, era realmente muito alto (ele detinha o recorde de maiores pés do mundo). Não foi apenas CGI; a presença dele no set trazia essa escala real para a fantasia de Edward.

Qual a minha crítica sobre essa obra?

Com uma nota 8.0 no IMDb, o filme é amplamente respeitado, mas minha visão vai além dos números. A grande sacada aqui é a fotografia vibrante que contrasta com o mundo cinzento do hospital onde Edward está. O filme te desafia a aceitar que a verdade "nua e crua" às vezes é sem graça, e que a ficção é o que dá cor à nossa passagem pelo mundo.

Não é um filme "duro", de ação ou explosões, mas tem uma masculinidade sensível. Trata do papel do pai como provedor de sonhos e da dificuldade do filho em aceitar o lúdico. O final é, sem sombra de dúvidas, um dos mais bonitos da história do cinema. Se você não chorar na cena do rio, talvez precise de um check-up no coração.



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