Se você gosta de um bom cinema de ação "brucutu", com certeza já cruzou com a figura de Charles Bronson. Hoje, resolvi relembrar um dos capítulos mais exagerados e, por isso mesmo, divertidos da franquia do justiceiro Paul Kersey: Desejo de Matar 3. Prepare o café e vamos trocar uma ideia sobre esse clássico do "tiro, porrada e bomba".
O que esperar de Desejo de Matar 3?
Lançado originalmente como Death Wish 3 em 1985, o filme marca uma mudança drástica de tom na saga. Se o primeiro filme era um drama urbano sombrio sobre um homem comum quebrado pela tragédia, o terceiro liga o "foda-se" e abraça o cinema de exploração da Cannon Films.
Desta vez, Paul Kersey volta a Nova York para visitar um velho amigo de guerra, mas acaba encontrando o sujeito morto em um bairro que parece uma zona de guerra controlada por gangues punks. O roteiro não perde tempo com sutilezas: a polícia, incapaz de conter o crime, faz um acordo por baixo dos panos com Kersey para que ele faça o que sabe fazer de melhor: limpar as ruas.
Quem está no comando dessa carnificina?
A direção ficou por conta de Michael Winner, que já conhecia bem o estilo de Bronson. No elenco, além do próprio Charles Bronson, temos nomes como Deborah Raffin, Ed Lauter e até um jovem Alex Winter (o Bill de Bill & Ted) e Marina Sirtis (Star Trek).
Título Original: Death Wish 3
Ano: 1985
Direção: Michael Winner
Nota IMDb: 6.0/10
Embora a nota no IMDb possa parecer mediana, para os fãs do gênero, o filme é considerado cult. Ele não tenta ser uma obra de arte profunda; ele quer entregar o que o público de 85 queria: justiça feita com calibres pesados.
Onde o filme Desejo de Matar 3 foi gravado?
Aqui entra um ponto curioso sobre a produção. Apesar de a história se passar na degradada Nova York dos anos 80, boa parte das filmagens de Desejo de Matar 3 aconteceu, na verdade, em Londres, na Inglaterra.
Os produtores usaram bairros londrinos com prédios antigos e os "fantasiaram" com grafites, lixo e carros americanos para simular o Brooklyn. Se você prestar atenção em alguns figurantes ou na arquitetura de certas janelas, dá para notar o toque britânico escondido sob a sujeira cenográfica de Manhattan.
Quais são as melhores curiosidades sobre a produção?
O filme é cercado de histórias de bastidores que explicam por que ele é tão único. Separei as que mais gosto:
O arsenal de Kersey: A famosa arma que ele usa no filme é uma Wildey Magnum .475. Na época, a empresa que fabricava a arma estava quase falindo, mas as vendas explodiram tanto após o filme que eles voltaram à ativa.
Contagem de corpos: Este é, de longe, o filme mais violento da franquia. Kersey deixa de ser um vigilante furtivo para se tornar um exército de um homem só, usando até metralhadoras e lança-foguetes no meio da rua.
Jimmy Page na trilha: Sim, o guitarrista do Led Zeppelin foi o responsável por parte da trilha sonora, o que dá um clima bem específico para as cenas de ação.
Vale a pena assistir a essa sequência hoje em dia?
Sendo bem direto com você: depende do que você procura. Se você quer um estudo psicológico sobre a violência, fique com o original de 1974. Agora, se você quer ver Charles Bronson sendo o ícone máximo da masculinidade dos anos 80, montando armadilhas criativas e enfrentando vilões caricatos com penteados bizarros, este filme é um prato cheio.
A minha crítica é que o filme é um "prazer culposo". Ele é absurdo, a física não faz sentido e o vilão, Fraker, é quase um desenho animado de tão malvado. Mas há algo de muito satisfatório em ver a ordem sendo restaurada de forma tão direta. É um entretenimento honesto, que não tenta te enganar com mensagens complexas. É cinema de ação em sua forma mais pura e visceral.
Se você curte catalogar filmes de ação que marcaram época, Desejo de Matar 3 precisa estar na sua lista, nem que seja para entender como o cinema de vigilante se transformou em um espetáculo de pirotecnia naquela década.
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