Eu sempre disse que o cinema de ação se divide em duas eras: antes e depois de John Wick. O quarto filme, que aqui no Brasil ganhou o subtítulo Baba Yaga, é o ponto onde a franquia decide parar de ser apenas um filme de tiro e vira uma obra de arte coreografada. O título original é apenas John Wick: Chapter 4, mas o apelido de "Bicho-Papão" nunca fez tanto sentido quanto aqui.
Vou te contar o que faz esse filme funcionar sem entregar nenhuma surpresa da trama, porque a experiência de ver isso pela primeira vez precisa ser intacta.
Os nomes por trás de John Wick 4 e o elenco de peso
Para entender a qualidade do que está na tela, você precisa olhar para quem está no comando. O diretor continua sendo Chad Stahelski, um cara que começou como dublê e sabe exatamente como filmar uma luta sem aqueles cortes frenéticos que deixam a gente tonto. Ele trata a ação como se fosse um balé, mas com pólvora.
O elenco é um absurdo. Além do Keanu Reeves, que já se tornou o próprio personagem, temos o retorno de veteranos como Ian McShane (Winston) e o saudoso Lance Reddick (Charon). Mas as adições de peso são o que elevam o nível. O lendário Donnie Yen interpreta Caine, um assassino cego que rouba todas as cenas, e Bill Skarsgård faz o papel do Marquês de Gramont, o vilão que você adora odiar. Ainda temos Hiroyuki Sanada, que traz toda aquela aura de mestre samurai que a gente respeita.
Onde o mundo queima e o som da destruição
Uma das coisas que mais me impressionou foram as locações. O filme não fica preso em um beco escuro de Nova York. John viaja o mundo e a fotografia aproveita cada centímetro de lugares como Paris, Berlim, Osaka e as paisagens desérticas da Jordânia. Cada cidade tem uma cor e um estilo de luta diferente, o que impede o filme de ficar repetitivo, mesmo com quase três horas de duração.
Para acompanhar toda essa jornada visual, a trilha sonora de Tyler Bates e Joel J. Richard volta com força total. É aquele sintetizador pesado que te deixa no clima de "alguém vai apanhar agora". A música dita o ritmo das batidas e dos tiros de uma forma que poucas franquias conseguem fazer hoje em dia.
Números e prêmios que mostram o sucesso do filme
Se você é fã de estatísticas, os números de John Wick 4 são bem sólidos. No IMDb, o filme mantém uma nota respeitável de 8.2, o que é raríssimo para o quarto filme de qualquer franquia. Geralmente a qualidade cai com o tempo, mas aqui parece que eles finalmente acertaram a mão em tudo.
Sobre premiações, o filme foi muito reconhecido em categorias técnicas e de ação, vencendo prêmios no Saturn Awards e recebendo várias indicações no Critics Choice Awards. Ele foi lançado oficialmente em 24 de março de 2023 e, desde então, é citado como um dos melhores, se não o melhor, filme de ação da década.
Curiosidades que você precisa saber sobre a produção
Existem alguns detalhes de bastidores que tornam a experiência de assistir ainda melhor. Por exemplo, o Keanu Reeves treinou pesado por meses para usar nunchakus e fazer as manobras de carro em Paris. Dizem que ele mesmo fez a maioria das cenas de direção perigosa no Arco do Triunfo.
Outro ponto interessante é que o roteiro original era muito maior, mas o Keanu preferiu cortar as falas do seu personagem. Em quase três horas de filme, ele fala apenas cerca de 380 palavras. Ele entendeu que o John Wick se expressa melhor com as mãos (e com armas) do que com discursos. Além disso, o personagem de Donnie Yen foi adaptado a pedido do próprio ator para fugir dos clichês de "mestre chinês" e ganhar um visual mais moderno e estiloso.
Se você gosta de cinema que respeita a inteligência do espectador e entrega o que promete, esse filme é obrigatório. É direto, seco e tecnicamente impecável.
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