Eu sempre gostei de filmes que sabem usar o silêncio e a imagem para contar o que as palavras não dão conta. Quando assisti a Herói (Ying xiong), do diretor Zhang Yimou, percebi que estava diante de algo diferente. Não é só um filme de "lutinha"; é uma aula de estética e estratégia.
Se você está buscando entender por que esse filme é um marco, ou se vale a pena revisitar essa obra de 2002, vou direto ao ponto sem enrolação ou spoilers.
O que você precisa saber sobre Ying xiong
O filme foi lançado originalmente na China no final de 2002, mas só chegou ao grande público no ocidente por volta de 2004, muito por conta do "empurrão" de Quentin Tarantino, que convenceu a Miramax a lançar a versão sem cortes. O título original é Ying xiong e a premissa é simples, mas certeira: um guerreiro sem nome (interpretado por Jet Li) chega ao palácio do Rei de Qin para reivindicar a recompensa por ter derrotado três assassinos perigosos.
O que acontece a partir daí é uma narrativa contada em camadas. O diretor Zhang Yimou usa cores de forma muito inteligente para separar as versões da história que está sendo contada. Cada bloco de cor — vermelho, azul, branco e verde — representa uma perspectiva diferente da mesma trama. É um recurso técnico que funciona muito bem e mantém a atenção sem precisar de diálogos expositivos chatos.
Um elenco de peso e reconhecimento técnico
Para quem curte cinema de artes marciais, o elenco é basicamente um "time dos sonhos". Além de Jet Li, temos Tony Leung, Maggie Cheung, Donnie Yen e Zhang Ziyi. É o tipo de reunião de talentos que raramente acontece com tamanha harmonia.
A crítica também não ignorou o filme. Ele segura uma nota 7.9 no IMDb, o que é um reflexo justo da qualidade técnica e narrativa. Em termos de premiações, Herói foi indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro e faturou diversos prêmios no Hong Kong Film Awards, incluindo Melhor Fotografia e Melhor Figurino. É um filme que, visualmente, ainda hoje deixa muito blockbuster de herói no chinelo.
Trilha sonora e locações que impressionam
Outro ponto que me chamou a atenção foi a trilha sonora. Ela foi composta por Tan Dun, o mesmo cara que fez a música de O Tigre e o Dragão. A música tem a participação do violinista Itzhak Perlman, e o resultado é uma sonoridade que não tenta ser épica o tempo todo; ela é contida, tensa e pontua bem os momentos de combate.
As locações também são um show à parte. O filme foi rodado em diversos pontos da China, incluindo:
Vale de Jiuzhaigou: Aquela cena famosa do combate sobre o lago espelhado.
Deserto de Gobi (Dunhuang): Onde as paisagens áridas ajudam a passar a sensação de isolamento e foco dos personagens.
Esses cenários reais dão uma textura que o CGI de hoje em dia dificilmente consegue replicar com a mesma naturalidade.
Curiosidades que fazem a diferença
Sempre gosto de saber o que rolou nos bastidores para entender o peso da obra. Aqui vão alguns fatos que mostram a escala de Herói:
O uso das cores: As folhas usadas na cena do combate das mulheres (na fase "vermelha") foram colhidas e classificadas por tonalidade para garantir que o visual fosse impecável.
Orçamento: Na época, foi o filme mais caro da história do cinema chinês (cerca de 30 milhões de dólares).
Exército real: Zhang Yimou usou soldados de verdade do exército chinês como figurantes para as cenas das tropas, o que explica a disciplina e a escala absurda daquelas formações de flechas.
Conclusão
Herói é um filme sobre perspectiva e sobre o que significa, de fato, ser um herói para o seu povo versus ser um herói para si mesmo. É direto, visualmente imbatível e não gasta o seu tempo com gordura narrativa. Se você quer uma experiência cinematográfica que respeita a sua inteligência e o seu olhar, é uma escolha segura.
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