Sempre fui fã de Legião Urbana, mas confesso que fiquei com o pé atrás quando souberam que iam adaptar uma música de nove minutos para o cinema. O desafio era grande: transformar a saga do João de Santo Cristo em algo visual, sem perder a essência daquela letra que todo mundo sabe de cor. Assisti ao filme Faroeste Caboclo focado em entender se a obra entregava o que prometia ou se era apenas mais uma tentativa de capitalizar em cima da nostalgia.
O resultado? Um filme seco, direto e com uma pegada de faroeste que faz jus ao nome. Se você quer saber se vale o seu tempo, separei os pontos principais aqui embaixo, sem enrolação.
Bastidores e o elenco de peso
Lançado oficialmente em 30 de maio de 2013, o longa tem o título original de Faroeste Caboclo. A direção ficou por conta de René Sampaio, que teve a missão ingrata de dar rosto a personagens que já viviam no imaginário brasileiro há décadas.
O cara que carrega o filme nas costas é o Fabrício Boliveira, que interpreta o João de Santo Cristo. Ele entrega um João endurecido pela vida, exatamente como eu imaginava. Para fechar o triângulo principal, temos a Ísis Valverde como uma Maria Lúcia bem construída e o Felipe Abib fazendo o Jeremias, aquele antagonista que a gente aprende a detestar desde a primeira cena. É um elenco que sabe trabalhar o silêncio e o olhar, o que ajuda muito na narrativa mais "crua".
A recepção da crítica e o que dizem por aí
Se você liga para números, a nota no IMDb gira em torno de 7.0, o que é um desempenho bem sólido para um drama policial brasileiro. O filme não passou batido nas premiações também. No Grande Prêmio do Cinema Brasileiro, o longa foi o grande vencedor, levando estatuetas de Melhor Longa-Metragem de Ficção, Melhor Ator para Boliveira e Melhor Roteiro Adaptado, entre outros.
O que eu achei interessante é que o filme não tenta ser um musical. Ele é um drama pesado, com violência na medida certa e um ritmo que não te deixa desgrudar da tela. Ele respeita a espinha dorsal da música, mas toma liberdades criativas para que a história faça sentido em duas horas de projeção.
Onde o bicho pega: locações e trilha sonora
Para quem conhece Brasília, o filme é um prato cheio. As locações de filmagem se dividiram entre o Distrito Federal (claro), o entorno no Jardim ABC (Goiás) e algumas cenas gravadas em Pernambuco. Essa escolha de cenários ajuda a passar aquela sensação de isolamento e poeira que o roteiro exige.
A trilha sonora é um ponto à parte. Embora a música original de Renato Russo seja o motivo do filme existir, a trilha incidental foi composta por Philippe Seabra (da banda Plebe Rude). O som é bem focado em criar tensão, usando elementos que remetem aos clássicos do faroeste italiano, mas com aquele DNA do rock de Brasília dos anos 80. A música icônica só aparece no momento certo, o que eu achei uma sacada muito inteligente do diretor.
Curiosidades que você precisa saber
Antes de dar o play, tem alguns detalhes que deixam a experiência mais rica:
Tempo de maturação: O projeto levou anos para sair do papel devido à complexidade de adaptar uma letra tão extensa e cheia de detalhes.
Faroeste Brasileiro: O filme é considerado um dos maiores exemplos do gênero "nordwestern" ou faroeste brasileiro moderno.
Sem firulas: O diretor optou por não usar a letra da música como narração, o que dá mais autonomia para a história fluir sozinha.
Censura: Por conta da violência e do tema pesado, o filme teve uma classificação indicativa alta, o que permitiu manter o tom sombrio da letra original.
No fim das contas, Faroeste Caboclo é um filme sobre escolhas e as consequências delas. É uma história de amor, mas também é uma história de vingança e injustiça social. Se você gosta de um cinema nacional bem feito, com pé no chão e sem frescura, esse aqui é obrigatório.
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