Se você espera encontrar a mesma química explosiva dos filmes de Bud Spencer com o Terence Hill, já aviso: melhor baixar um pouco a expectativa. Os Anjos Também Comem Feijão (ou Anche gli angeli mangiano fagioli, no original de 1973) tenta pegar carona nessa fórmula de sucesso, mas entrega algo que, embora assistível, parece um café requentado.
Eu assisti ao filme recentemente e, olha, ele tem seus méritos, mas não espere uma obra-prima do gênero. O diretor Enzo Barboni, que assina como E.B. Clucher, tentou repetir a dose de humor e pancadaria, só que dessa vez ambientando a história na Nova York da época da Grande Depressão.
A dupla que quase funciona
O maior problema, na minha visão, é a falta de sintonia. Bud Spencer continua sendo o gigante carismático de sempre, interpretando o lutador Charlie Smith. O problema é o parceiro dele. No lugar do Terence Hill, colocaram o Giuliano Gemma como Sonny. Gemma é um ótimo ator, brilhou em vários "Western Spaghetti", mas aqui ele parece estar tentando demais ser o Terence Hill.
A trama gira em torno desses dois sujeitos desajustados que tentam entrar para a máfia para ganhar a vida. Só que eles têm um "defeito" grave para quem quer ser bandido: eles são bons demais. Acabam protegendo as pessoas que deveriam extorquir. É engraçadinho, mas o ritmo cansa um pouco depois da primeira hora.
Ficha técnica e aquela nota no IMDb
Se você é do tipo que se guia por números, o filme tem uma nota 6.6 no IMDb. É uma pontuação justa para uma comédia despretensiosa que não mudou a história do cinema. Lançado oficialmente em 22 de março de 1973, o longa não chegou a ganhar premiações de peso ou festivais importantes. Ele foi feito para o consumo rápido das massas, e cumpriu esse papel na época.
O elenco ainda conta com Robert Middleton e Victor Israel, rostos conhecidos para quem gosta desse tipo de produção italiana. No fundo, é aquele filme que você deixa passando no domingo à tarde enquanto faz qualquer outra coisa.
Trilha sonora e os cenários de papelão
Um ponto que sempre me chama a atenção nesses filmes é a música. A trilha sonora ficou por conta de Guido e Maurizio De Angelis. Se você já viu qualquer filme do Bud Spencer, conhece o estilo deles. É aquela música chiclete, meio boba, que fica na cabeça, mas que aqui não parece ter o mesmo brilho de outros trabalhos da dupla.
Sobre as locações de filmagem, embora a história se passe em Nova York, boa parte do que você vê foi rodado nos estúdios da Cinecittà, em Roma. Eles até conseguiram recriar bem o clima da década de 1930, mas se você olhar com atenção, percebe que falta aquela sujeira e o caos real da Nova York daquela época. Ficou tudo meio limpo demais, meio artificial.
Curiosidades que salvam o papo
Apesar das minhas críticas, existem alguns pontos curiosos sobre a produção:
O substituto: Terence Hill era a primeira escolha para o papel de Sonny, mas ele estava ocupado gravando "Meu Nome é Ninguém".
Continuação sem Bud: O filme fez sucesso suficiente para ganhar uma sequência chamada Anche gli angeli tirano di destro, mas sem o Bud Spencer. Como dá para imaginar, foi um desastre ainda maior.
Dublês: Muita gente não sabe, mas as cenas de briga eram coreografadas quase como um balé, e muitos dos dublês eram os mesmos que apareciam em todos os filmes da época.
No fim das contas, Os Anjos Também Comem Feijão é um filme mediano. Ele diverte se você não tiver nada melhor para fazer, mas não chega perto dos clássicos da dupla original. É um passatempo honesto, porém esquecível.
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