Minha Surpreendente (Queen to Play)
Sempre fui o cara das coisas práticas, sabe? Futebol, documentários de história, um bom churrasco. Filmes com títulos que parecem poesia, ou que envolvem mudanças de vida inesperadas, não estavam exatamente no meu radar. Mas, por insistência de uma amiga que sabe que jogo xadrez, acabei me deparando com "Queen to Play". E, olha, para um filme que fala de xadrez e de uma faxineira francesa, a experiência foi bem mais interessante do que eu esperava.
Xadrez, França e uma Atriz Inesquecível: Os Detalhes do Filme
A primeira coisa que me chamou a atenção foi a simplicidade da história. O título original é "Joueuse", que significa "Jogadora" em francês. A trama se passa na pitoresca ilha da Córsega, na França, um lugar que, confesso, me deu vontade de pesquisar passagens (mas isso é outra história).
O filme foi lançado em 20 de maio de 2009 na França (e em 2010 no Brasil) e é a estreia na direção de Caroline Bottaro, que também assina o roteiro. A história é centrada em Hélène, a protagonista. E que protagonista!
O elenco é um show à parte, com a excelente Sandrine Bonnaire no papel principal e o lendário Kevin Kline (sim, um americano em um filme francês, falando um francês quase perfeito) como Krömer, o vizinho recluso que a inicia no xadrez. O filme tem uma avaliação de 7.2/10 no IMDb, o que eu considero justo, pois é um filme sólido e bem executado.
Uma Trilha Sonora na Medida Certa e as Locações
O xadrez é um jogo de silêncios, de tensão quieta. E a trilha sonora, composta por Michael Galasso, soube capturar isso perfeitamente. Não é aquela trilha épica que te distrai; é mais sutil, acompanhando a jornada interna da Hélène.
As locações de filmagem na Córsega são outro personagem. Aquelas paisagens rochosas, o mar, as casas simples — tudo contribui para dar um ar autêntico e um pouco isolado à história, o que faz sentido, já que a vida de Hélène é transformada por uma redescoberta pessoal ali, naquele ambiente.
Para mim, que gosto de observar o cenário, foi bacana ver como a paisagem, que é meio árida e forte, contrasta com a delicadeza e a determinação da personagem.
A Transformação Pessoal
O que realmente me prendeu ao filme foi a mudança que o xadrez provoca na Hélène. É fascinante ver como um jogo, que parece tão distante da realidade dela, vira uma válvula de escape e, mais do que isso, um catalisador para ela se enxergar de forma diferente.
Curiosidade: O filme é baseado no romance Une partie de plaisir (Um Jogo de Prazer) da autora Bertina Henrichs. E o legal é que, mesmo que você não entenda nada de xadrez, a história funciona. A emoção não está no lance em si, mas na atitude e na força que ela ganha a cada partida.
O Veredito
Eu comecei a ver "Queen to Play" como uma obrigação, mas terminei com uma satisfação genuína. É uma história sobre encontrar um propósito e o respeito próprio em um lugar inesperado. Não tem explosões, nem perseguições, mas tem uma garra silenciosa que me conquistou. É um filme para quem gosta de boas atuações e de narrativas que mostram o poder que uma nova paixão pode ter na vida de alguém. Recomendo para sair do óbvio, sem precisar de drama excessivo.
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