Duro de Matar: Por que este clássico ainda define o gênero de ação
Se você me perguntar qual é o padrão ouro para filmes de ação, a resposta é rápida e sem rodeios: Duro de Matar (Die Hard). Esqueça os heróis indestrutíveis de hoje em dia que voam e soltam raios. Aqui, o negócio é mais embaixo. Eu revi o filme recentemente para entender por que, décadas depois, ele continua relevante.
A premissa é simples e eficiente. Temos John McClane, um policial de Nova York que vai a Los Angeles visitar a esposa e tentar salvar o casamento. Ele acaba em uma festa de Natal da empresa dela, no edifício Nakatomi Plaza. O problema é que um grupo de terroristas (ou ladrões excepcionais, dependendo do ponto de vista) toma o prédio. McClane é o único que não é capturado e tem que resolver a situação sozinho, descalço e com pouca munição. Sem firulas, apenas sobrevivência e estratégia.
Ficha técnica e elenco de peso
Para começar a análise técnica, vamos aos dados concretos. O filme foi lançado nos Estados Unidos em julho de 1988 (chegando ao Brasil um pouco depois). A direção ficou a cargo de John McTiernan, um cara que sabe como criar tensão em espaços fechados.
O elenco é o que sustenta a narrativa. Muita gente não sabe, mas Bruce Willis não era a primeira opção para viver John McClane; ele era conhecido por comédias românticas na TV. Mas foi justamente essa escolha que funcionou: ele parece um cara comum, não um fisiculturista invencível.
Do outro lado, temos o inesquecível Alan Rickman como Hans Gruber. Foi o primeiro papel dele no cinema, e ele entregou um dos vilões mais inteligentes e calculistas da história. O elenco ainda conta com Bonnie Bedelia e Reginald VelJohnson.
A ambientação: O Nakatomi Plaza e a Trilha Sonora
Um ponto que me chama a atenção é como o cenário é usado. O filme se passa quase inteiramente dentro do Nakatomi Plaza. Na vida real, o prédio é o Fox Plaza, sede da 20th Century Fox em Los Angeles. As locações de filmagem foram práticas: eles usaram o prédio real, que ainda estava em construção em alguns andares, o que deu um realismo absurdo às cenas de tiroteio e destruição.
A atmosfera é complementada por uma trilha sonora impecável de Michael Kamen. O uso da "Ode à Alegria" de Beethoven (da 9ª Sinfonia) quando o cofre é aberto é uma escolha irônica e brilhante. Além disso, temos "Winter Wonderland" e "Let It Snow!", reforçando que, apesar das balas voando, ainda é um filme de Natal.
Recepção crítica e a nota no IMDb
Não sou de me guiar apenas por opiniões alheias, mas os números não mentem. Duro de Matar não é apenas um filme "pipoca"; ele é respeitado. No IMDb, ele mantém uma nota sólida, geralmente oscilando em torno de 8.2/10, o que é altíssimo para o gênero de ação.
A crítica da época demorou um pouco para entender, mas hoje é consenso: o roteiro é amarrado, sem furos óbvios, e a ação é consequente. Se o personagem leva um tiro ou corta o pé, ele manca e sangra pelo resto do filme. Isso gera uma tensão real que falta em muita produção moderna.
Curiosidades que você talvez não saiba
Para fechar, separei alguns fatos de bastidores que mostram o nível de improviso e técnica da produção:
A queda de Hans Gruber: Na cena final do vilão (sem spoilers detalhados), o diretor soltou o ator Alan Rickman antes da contagem combinada. A expressão de susto no rosto dele é genuína.
O roteiro: O filme é baseado no livro Nothing Lasts Forever, de Roderick Thorp. Curiosamente, a história era para ser uma sequência de um filme do Frank Sinatra.
Improvisos: Muitas das falas de humor ácido do Bruce Willis foram improvisadas na hora, o que ajudou a moldar a personalidade do McClane.
Em resumo, Duro de Matar é obrigatório. É cinema de ação feito por adultos, para adultos, com roteiro inteligente e execução prática. Se você quer ver como se faz um filme de cerco bem feito, essa é a referência.
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