Eu sempre tive um pé atrás com filmes que tentam misturar romance e guerra, porque a chance de cair no clichê meloso é enorme. Mas com Suite Francesa (o original é Suite Française), a pegada é diferente. O filme, lançado em 2014, consegue entregar uma tensão que não vem só das bombas, mas do silêncio de uma cidade ocupada. É aquele tipo de história que te faz pensar no que você faria se o inimigo batesse à sua porta e decidisse que vai morar na sua sala.
A trama e o peso do elenco
A história se passa na França de 1940, logo que os alemães invadem o país. O diretor Saul Dibb foi bem direto ao mostrar como a vida de Lucille Angellier, vivida pela Michelle Williams, vira de cabeça para baixo. Ela mora com a sogra, uma mulher rígida interpretada pela Kristin Scott Thomas, enquanto espera notícias do marido que está no fronte.
A coisa complica quando um oficial alemão, Bruno von Falk (Matthias Schoenaerts), é enviado para ficar na casa delas. O que eu achei interessante aqui é que o filme não pinta ninguém como um herói de ação. É um jogo de aparências. O elenco ainda conta com nomes fortes como Margot Robbie e Sam Riley, que dão um suporte pesado para a narrativa não perder o ritmo.
O que os números e a crítica dizem
Se você é do tipo que olha as notas antes de dar o play, o filme sustenta um respeitável 7.0 no IMDb. Não é uma obra prima revolucionária, mas é um cinema muito bem executado. No circuito de premiações, ele não levou o Oscar, mas foi indicado ao Satellite Awards e ao Emmy (pela trilha), além de ter tido uma recepção sólida na Europa.
Um ponto que me chamou a atenção foi a trilha sonora. O trabalho do compositor Rael Jones é cirúrgico. Como o personagem alemão é músico, o piano conduz boa parte da tensão emocional do filme. Não é uma música feita só para preencher o vazio, ela faz parte do roteiro de um jeito que poucas vezes vi em filmes do gênero.
Bastidores e curiosidades que dão um nó na garganta
A maior curiosidade de Suite Francesa não está no que foi filmado, mas em como a história chegou até nós. O filme é baseado no livro de Irène Némirovsky, uma escritora judia que morreu em Auschwitz em 1942. O manuscrito ficou guardado por 64 anos pela filha dela, que achava que eram apenas diários dolorosos demais para ler. Ela só descobriu que era um romance em 1998.
Sobre as locações, a produção optou por filmar em lugares reais para manter o clima de época. Muita coisa foi rodada na Bélgica, em vilarejos como Maransart e na região de Hainaut, além de algumas cenas na própria França. Isso dá uma textura muito real para a imagem, você sente o frio e o isolamento daquelas ruas de pedra.
Por que você deveria dar uma chance
No fim das contas, esse filme é sobre escolhas impossíveis. Ele não gasta tempo com discursos motivacionais, foca no pragmatismo da sobrevivência. Se você gosta de dramas históricos que prezam pela ambientação e por atuações contidas, vale muito o tempo investido. É um filme sóbrio, direto e que respeita a inteligência de quem está assistindo.
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