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Revivendo a História em "Novecento"
Falar sobre o filme "Novecento" é revisitar um pedaço monumental do cinema. Eu me lembro da primeira vez que assisti, a sensação de estar diante de uma obra que respira a própria história da Itália. Não é só um filme; é uma crônica épica.
O título original, "Novecento", já carrega esse peso. Lançado em 1976, este projeto ambicioso foi concebido e dirigido por um dos mestres incontestáveis: Bernardo Bertolucci. É uma daquelas produções que você percebe que precisou de coragem e uma visão artística gigantesca para ser tirada do papel.
A Estrutura e os Gigantes da Tela
Eu sempre apreciei filmes que conseguem contar uma história longa sem perder o ritmo, e Bertolucci fez isso com maestria, mesmo na versão de 5 horas e 17 minutos. O filme se desenrola a partir do primeiro dia do século XX, e a trama acompanha a vida de dois homens nascidos na mesma data: Alfredo Berlinghieri, o filho do patrão de terras, e Olmo Dalcò, o filho de camponeses.
O elenco é uma constelação internacional, o que, convenhamos, dá um peso imediato a qualquer produção. Robert De Niro interpreta Alfredo e Gérard Depardieu dá vida a Olmo. É fascinante ver a dinâmica e o contraste entre as atuações deles. Além disso, nomes como Donald Sutherland, Burt Lancaster, e Stefania Sandrelli compõem o elenco, reforçando a escala dessa produção.
Se você busca uma referência de qualidade, a nota de 7.7/10 no IMDb fala por si. É um filme que, apesar de sua duração, manteve sua relevância e apreço do público e da crítica ao longo das décadas.
A Trilha Sonora e o Cenário Épico
A trilha sonora é um capítulo à parte, e para mim, a música sempre foi fundamental para dar o tom certo. O trabalho de Ennio Morricone em "Novecento" é inesquecível. Suas composições dão profundidade e emoção a cada virada da narrativa, misturando o lírico com o épico. É o tipo de trilha que você ouve e imediatamente é transportado para o campo italiano do início do século.
Onde a mágica aconteceu? As locações de filmagem foram principalmente na região da Emília-Romanha, na Itália. Bertolucci filmou nos arredores de Parma, nas planícies do rio Pó, e é essa autenticidade do cenário que ajuda a fundamentar a história. Você vê o chão que os camponeses pisavam, as vastas propriedades, e entende a geografia que moldou a vida desses personagens. Isso adiciona uma camada de realismo que eu valorizo muito em filmes históricos.
Curiosidades por Trás das Câmeras
Sempre tem alguma história interessante sobre a produção, e "Novecento" não é exceção. Uma das coisas que mais chama a atenção é a batalha que Bertolucci travou pela montagem do filme. Originalmente, ele era um épico com mais de 5 horas de duração, mas a versão que chegou aos cinemas americanos foi drasticamente cortada para cerca de 4 horas. A versão integral, a mais fiel à visão do diretor, tem 317 minutos (5 horas e 17 minutos). Eu sempre sugiro que, se for assistir, busque a versão completa.
Outra curiosidade é sobre a ambição da obra: o filme cobre um período que vai de 1901 até 1945, atravessando duas Guerras Mundiais, a ascensão do Fascismo e a Resistência. O filme foi bancado pela Paramount e United Artists, mas o escopo foi tão grande que consumiu uma fortuna, sendo, na época, um dos filmes mais caros já feitos na Itália. Isso mostra a escala do projeto.
Um Encerramento Sobre a História
"Novecento" é, no fim das contas, uma reflexão poderosa sobre as classes sociais, a política e a passagem do tempo na Itália. Acompanhar a amizade e o conflito entre Olmo e Alfredo é entender como as grandes forças históricas afetam a vida do homem comum, seja ele rico ou pobre. Não é um filme leve, nem busca ser. É um retrato cru e honesto.
É o tipo de cinema que exige dedicação, mas que entrega em troca uma experiência densa e memorável. Se você está procurando por um filme com substância, que tem um elenco de peso, uma trilha sonora icônica, e que te coloca no meio dos acontecimentos mais importantes do século XX italiano, "Novecento" é a pedida.
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