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10 março 2026

Vestida Para Matar

 

Se você curte um bom suspense psicológico, daqueles que te deixam desconfortável na poltrona, precisa falar de Vestida para Matar. Assisti ao filme recentemente e, olha, o Brian De Palma não estava para brincadeira quando decidiu prestar essa homenagem (ou seria um desafio?) ao Hitchcock.

O filme, cujo título original é Dressed to Kill, foi lançado em 1980 e continua sendo um estudo de caso sobre como prender o espectador pelo pescoço usando apenas o visual e uma trilha sonora hipnotizante.

O mestre do suspense em sua melhor forma

Para entender esse filme, o primeiro passo é olhar para quem está atrás da câmera. Brian De Palma é o diretor aqui, e ele usa cada truque do manual: telas divididas, planos sequência longos e aquela câmera lenta que faz você querer gritar para o personagem andar mais rápido.

A história começa com uma dona de casa frustrada em Nova York, interpretada pela Angie Dickinson, que acaba se envolvendo em uma trama de assassinato após um encontro casual. O elenco ainda conta com Michael Caine, vivendo o psiquiatra Dr. Robert Elliott, e uma jovem Nancy Allen, que interpreta a prostituta que testemunha o crime e vira o alvo principal. É um jogo de gato e rato muito bem montado.

Números, notas e o som do perigo

Se você é do tipo que olha as estatísticas antes de dar o play, o filme sustenta uma nota 7.1 no IMDb. Não é uma nota estratosférica, mas para um filme de gênero que dividiu tanto a crítica na época, é um sinal de respeito.

Sobre a parte técnica, dois pontos são imbatíveis:

  • Trilha Sonora: Composta por Pino Donaggio. A música é praticamente um personagem. Ela transita entre o erótico e o aterrorizante sem pedir licença.

  • Premiações: Nancy Allen chegou a ser indicada ao Globo de Ouro como Nova Estrela do Ano, embora o filme também tenha recebido algumas indicações ao Framboesa de Ouro na época — o que só prova como ele foi polêmico no lançamento.

Nova York como cenário de um pesadelo

As locações de filmagem são fundamentais para a atmosfera. Quase tudo se passa em uma Nova York cinzenta e perigosa do final dos anos 70. A cena do museu, que é uma das mais famosas do cinema, foi rodada no Philadelphia Museum of Art, mas na trama, estamos no Metropolitan Museum of Art (o MET).

Essa escolha de cenários amplos e impessoais reforça a sensação de isolamento dos personagens. Você sente que, mesmo no meio de uma multidão, ninguém está realmente seguro.

Curiosidades que cercam a obra

Existem alguns bastidores interessantes que valem a pena saber:

  1. Censura: O filme sofreu cortes pesados para não receber uma classificação "X" (proibido para menores) nos EUA devido às cenas de violência e nudez.

  2. Dublê de corpo: Na famosa cena do chuveiro logo no início, a modelo Victoria Lynn Johnson foi usada como dublê para a Angie Dickinson.

  3. Hitchcock: De Palma nunca escondeu que este filme é uma releitura espiritual de Psicose. As referências estão em todo lugar, desde a estrutura da narrativa até o uso da trilha.

Vestida para Matar não é um filme "bonitinho" ou fácil. Ele é bruto, direto e visualmente impecável. Se você gosta de cinema que prioriza a imagem e o ritmo em vez de diálogos explicativos, é uma pedida obrigatória.



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