Cara, se você gosta de um suspense que não tenta te ganhar pelo barulho, mas sim pela inteligência, senta aí. Assisti a A Grande Mentira (título original: The Good Liar) e o filme é basicamente uma aula de como prender a atenção usando apenas dois atores gigantes e um roteiro bem amarrado.
Lançado no final de 2019, o longa passou por muita gente sem fazer o barulho que merecia, mas eu garanto: vale o tempo investido, especialmente se você curte aquela sensação de não saber exatamente quem está enganando quem.
O que você precisa saber sobre a ficha técnica
O filme é dirigido por Bill Condon, o mesmo cara que fez Deuses e Monstros e alguns blockbusters por aí. Mas aqui ele volta para um estilo mais contido. O elenco é o ponto alto: temos Ian McKellen fazendo o papel de Roy Courtnay, um golpista profissional, e a Helen Mirren como Betty McLeish, uma viúva rica que parece ser o alvo perfeito.
Aqui estão alguns dados rápidos para você se situar:
Data de lançamento: 21 de novembro de 2019 (Brasil).
Nota IMDb: 6.7/10 (uma nota justa, embora eu ache que a atuação mereça mais).
Trilha Sonora: Composta por Carter Burwell, o cara que costuma trabalhar com os irmãos Coen. A música é sóbria, sem exageros dramáticos.
Premiações: Não foi um "papa-Oscars", mas recebeu indicações em prêmios como o Saturn Awards e o Satellite Awards, principalmente pelas atuações.
A trama: um jogo de gato e rato em Londres
A história começa de um jeito bem atual: os dois se conhecem em um site de relacionamentos. O Roy (McKellen) é aquele tipo de sujeito que você encontraria em um clube de cavalheiros em Londres — educado, bem vestido e aparentemente inofensivo. Mas a gente descobre rápido que ele vive de aplicar golpes financeiros em gente rica.
A Betty (Mirren) surge como a próxima vítima. Ela tem uma fortuna guardada e ele quer colocar a mão nesse dinheiro. O que eu achei mais interessante na narrativa é que o filme não perde tempo tentando te fazer sentir pena de ninguém. É um jogo de estratégia. Você observa o Roy tecendo a teia dele, enquanto o neto da Betty, interpretado pelo Russell Tovey, fica ali no pé, desconfiado de cada passo do velho.
Locações e a estética do filme
Visualmente, o filme é muito bem servido. Grande parte da ação acontece em Londres e nos arredores (como em Surrey), o que traz aquela atmosfera britânica cinzenta e elegante. Mas a história também nos leva para Berlim, e essas cenas na Alemanha são cruciais para entender o passado dos personagens sem precisar de muitos diálogos explicativos.
A escolha das locações ajuda a reforçar que estamos lidando com segredos antigos. O filme tem uma "cara" de cinema clássico, sem cortes frenéticos, deixando a gente observar as expressões dos atores, o que, convenhamos, com McKellen e Mirren, é o que realmente importa.
Curiosidades que valem o registro
Mesmo que esses dois atores tenham décadas de carreira e sejam lendas do teatro e do cinema britânico, A Grande Mentira foi a primeira vez que Ian McKellen e Helen Mirren trabalharam juntos em um filme. É meio difícil de acreditar, mas é verdade.
Outro ponto interessante: o filme é baseado no livro homônimo de Nicholas Searle. Se você ler o livro, vai notar que o tom é um pouco mais sombrio, mas o filme consegue adaptar bem essa tensão de "quem é o verdadeiro mentiroso aqui?".
No fim das contas, se você quer um suspense sólido, sem explosões e com atuações de primeira prateleira, pode ir sem medo. O filme entrega um desfecho que faz as peças se encaixarem de um jeito que você provavelmente não vai prever logo de cara.
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