Se você gosta de um bom filme de ação, provavelmente já ouviu falar de John Wick: De Volta ao Jogo. Mas o que faz esse filme ser diferente de tantos outros por aí? Eu assisti e o que me prendeu não foi só a pancadaria, mas a forma como tudo é executado. Não é apenas um cara batendo em todo mundo; é um profissional sendo forçado a sair da aposentadoria.
O filme, que tem o título original apenas como John Wick, chegou aos cinemas lá em 2014 (em novembro, aqui no Brasil) e, honestamente, ninguém esperava que ele fosse virar o fenômeno que é hoje. Ele resgatou o Keanu Reeves para o topo e definiu um novo padrão para o gênero.
O cara que você não deveria ter incomodado
A premissa é simples e direta, sem enrolação. John Wick é um ex-assassino de elite que está vivendo o luto pela perda da esposa. Ele tenta seguir em frente, mas o filho de um mafioso russo decide roubar o carro dele (um Mustang 1969 clássico) e mexer com o que restava de sua paz.
O erro desses caras foi subestimar quem ele era. No submundo, ele é conhecido como Baba Yaga, o "Bicho-Papão". Mas, como dizem no filme, ele não é exatamente o Bicho-Papão: ele é aquele que você envia para matar o maldito Bicho-Papão. A narrativa flui bem porque você entende a motivação dele sem precisar de diálogos sentimentais demais. É olho por olho, com uma eficiência técnica impressionante.
Direção, Keanu Reeves e o elenco de peso
O que faz a diferença aqui é quem está por trás das câmeras. O filme foi dirigido por Chad Stahelski (com David Leitch não creditado), que eram dublês e coordenadores de dublês antes de assumirem a direção. Isso explica por que as lutas são tão limpas. Você vê cada movimento, sem aqueles cortes rápidos que dão dor de cabeça.
Keanu Reeves entrega uma performance física absurda. Ele treinou judô, jiu-jitsu e tiro tático por meses. Ao lado dele, temos um elenco que sabe o que está fazendo:
Michael Nyqvist (o vilão Viggo Tarasov).
Alfie Allen (o pivô de toda a confusão).
Willem Dafoe (como um mentor/amigo de longa data).
Ian McShane (o dono do Hotel Continental, que é um show à parte).
A estética de Nova York e a trilha sonora
O filme se passa quase inteiramente em Nova York, mas não a Nova York dos turistas. As locações de filmagem incluem o icônico prédio Flatiron e o Beaver Building, que serve de fachada para o Hotel Continental. O visual é carregado de neon, sombras e uma elegância que a gente não costuma ver em filmes de "tiro, porrada e bomba".
A trilha sonora, composta por Tyler Bates e Joel J. Richard, é outro ponto alto. É uma mistura de rock industrial com batidas eletrônicas que ditam o ritmo das cenas de ação. Se você ouvir "Killing Strangers" do Marilyn Manson agora, vai lembrar imediatamente do clima tenso do filme. É música que serve à cena, sem tentar ser maior que ela.
Curiosidades, notas e o legado do Baba Yaga
Para quem gosta de números e fatos rápidos, John Wick: De Volta ao Jogo mantém uma nota sólida de 7.4 no IMDb, o que é muito alto para um filme de ação puro. Ele não foi um grande campeão de premiações tradicionais como o Oscar, mas limpou a mesa em prêmios de dublês e ação, como o World Stunt Awards.
Aqui vão algumas curiosidades que talvez você não saiba:
O Keanu Reeves realizou cerca de 90% das suas próprias cenas de ação.
O roteiro original previa um John Wick na casa dos 60 anos, mas mudaram para o Keanu para dar mais vitalidade ao personagem.
A "mitologia" das moedas de ouro e do Hotel Continental não existia de forma tão profunda no papel; foi sendo criada para dar personalidade ao universo.
No fim das contas, John Wick é um filme sobre consequências. É direto, técnico e muito bem feito. Se você ainda não viu, ou quer rever, vale cada minuto pela qualidade da execução.
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